Cordelista natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador.
Curtir o Pedro Bial E sentir tanta alegria É sinal de que você O mau-gosto aprecia Dá valor ao que é banal É preguiçoso mental E adora baixaria.
Há muito tempo não vejo Um programa tão ‘fuleiro’ Produzido pela Globo Visando Ibope e dinheiro Que além de alienar Vai por certo atrofiar A mente do brasileiro.
Me refiro ao brasileiro Que está em formação E precisa evoluir Através da Educação Mas se torna um refém Iletrado, ‘zé-ninguém’ Um escravo da ilusão.
Em frente à televisão Lá está toda a família Longe da realidade Onde a bobagem fervilha Não sabendo essa gente Desprovida e inocente Desta enorme ‘armadilha’.
Cuidado, Pedro Bial Chega de esculhambação Respeite o trabalhador Dessa sofrida Nação Deixe de chamar de heróis Essas girls e esses boys Que têm cara de bundão.
O seu pai e a sua mãe, Querido Pedro Bial, São verdadeiros heróis E merecem nosso aval Pois tiveram que lutar Pra manter e te educar Com esforço especial.
Muitos já se sentem mal Com seu discurso vazio. Pessoas inteligentes Se enchem de calafrio Porque quando você fala A sua palavra é bala A ferir o nosso brio.
Um país como Brasil Carente de educação Precisa de gente grande Para dar boa lição Mas você na rede Globo Faz esse papel de bobo Enganando a Nação.
Respeite, Pedro Bial Nosso povo brasileiro Que acorda de madrugada E trabalha o dia inteiro Da muito duro, anda rouco Paga impostos, ganha pouco: Povo HERÓI, povo guerreiro.
Enquanto a sociedade Neste momento atual Se preocupa com a crise Econômica e social Você precisa entender Que queremos aprender Algo sério – não banal.
Esse programa da Globo Vem nos mostrar sem engano Que tudo que ali ocorre Parece um zoológico humano Onde impera a esperteza A malandragem, a baixeza: Um cenário sub-humano.
A moral e a inteligência Não são mais valorizadas. Os “heróis” protagonizam Um mundo de palhaçadas Sem critério e sem ética Em que vaidade e estética São muito mais que louvadas.
Não se vê força poética Nem projeto educativo. Um mar de vulgaridade Já tornou-se imperativo. O que se vê realmente É um programa deprimente Sem nenhum objetivo.
Talvez haja objetivo “professor”, Pedro Bial O que vocês tão querendo É injetar o banal Deseducando o Brasil Nesse Big Brother vil De lavagem cerebral.
Isso é um desserviço Mal exemplo à juventude Que precisa de esperança Educação e atitude Porém a mediocridade Unida à banalidade Faz com que ninguém estude.
É grande o constrangimento De pessoas confinadas Num espaço luxuoso Curtindo todas baladas: Corpos “belos” na piscina A gastar adrenalina: Nesse mar de palhaçadas.
Se a intenção da Globo É de nos “emburrecer” Deixando o povo demente Refém do seu poder: Pois saiba que a exceção (Amantes da educação) Vai contestar a valer.
A você, Pedro Bial Um mercador da ilusão Junto a poderosa Globo Que conduz nossa Nação Eu lhe peço esse favor: Reflita no seu labor E escute seu coração.
E vocês caros irmãos Que estão nessa cegueira Não façam mais ligações Apoiando essa besteira. Não dêem sua grana à Globo Isso é papel de bobo: Fujam dessa baboseira.
E quando chegar ao fim Desse Big Brother vil Que em nada contribui Para o povo varonil Ninguém vai sentir saudade: Quem lucra é a sociedade Do nosso querido Brasil.
E saiba, caro leitor Que nós somos os culpados Porque sai do nosso bolso Esses milhões desejados Que são ligações diárias Bastante desnecessárias Pra esses desocupados.
A loja do BBB Vendendo só porcaria Enganando muita gente Que logo se contagia Com tanta futilidade Um mar de vulgaridade Que nunca terá valia.
Chega de vulgaridade E apelo sexual. Não somos só futebol, baixaria e carnaval. Queremos Educação E também evolução No mundo espiritual.
Cadê a cidadania Dos nossos educadores Dos alunos, dos políticos Poetas, trabalhadores? Seremos sempre enganados e vamos ficar calados diante de enganadores?
Barreto termina assim Alertando ao Bial: Reveja logo esse equívoco Reaja à força do mal… Eleve o seu coração
Retorna ao nosso convívio literário nosso irmão e amigo Pedro Roberto Sampaio que nos dá a honrosa contribuição com seus artigos comumente publicados no Jornal Diário do Nordeste de Fortaleza – CE. Boas “re-vindas”!
*Roberto Sampaio
Opinião – Idéias – Diário do Nordeste – 01.02.2010
Dor terrível acometeu-me de surpresa. Corri ao médico que solicitou exames imediatos. Após submeter-me a uma tomografia, que identificou um cálculo situado na porção distal do ureter, fui encaminhado à urgência do internamento para uma cirurgia de remoção. Meu plano de saúde não contemplou o uso do laser, recomendado pelo cirurgião para que o procedimento fosse menos traumático. Tamanha era a dor, e para não piorar meu estado debilitado, aceitei de pronto o desembolso do representativo valor, extrapolando, assim, meu sacrificado orçamento.
No mesmo dia, início da noite, internei-me e parti para a sala de cirurgia. Fui recebido pelo anestesista que me fez as perguntas rotineiras do pré-operatório e já na maca, dentro da sala de cirurgia, ao tempo em que conversava frivolidades com um colega e aguardava o cirurgião que estava a caminho, preparava-me para a sedação e o bloqueio.
Adormeci.
Três horas mais tarde retornei a consciência na sala de recuperação, incentivado por três rostos desconhecidos que me animavam e logo sumiram. Por sorte cobriram-me com um cobertor, protegendo-me do frio daquela sala deveras gelada.
Na seqüência, conduziram-me ao apartamento hospitalar onde deveria pernoitar. Adormeci novamente, agora assistido por minha esposa.
No outro dia surpreendi-me ao ver dois hematomas nas extremidades do lábio inferior, com pequenos ferimentos do lado interno, depois transformados em severas aftas que me incomodaram por cinco intermináveis dias. Indaguei do médico qual a causa, o mesmo me respondeu ter sido, provavelmente, a colocação de uma chupeta (cânula de Guedel), acessório de prevenção em caso emergencial de anestesia geral.
Se o leitor já não passou por essa experiência, certamente já teve notícias de amigo ou parente que a tenha vivenciado. Meu intuito, com esta matéria, é alertar. Esse tipo de vacilo não deveria ocorrer em qualquer hospital, quanto mais nos que oferecem mais conforto. É mister haver treinamento contínuo com os profissionais da saúde, e, principalmente, lições de humanidade.
Por exemplo: A Igreja Universal do Reino de Deus, que também tem curso de teologia, estabelece um DEU$ conforme a cabeça do Edir Macedo, ou seja: o importante é o que você tem e não o que você é. Teria que ser um Deus para lhe dar bens materiais e as pessoas poderem dizer: “Ele me deu este carrão aqui, esta casa bonita, esta empresa que está faturando muito…” enfim, um Deus que quer que eu ganhe dinheiro e tenha coisas materiais, sem relevância a valores espirituais. Um Deus que, inclusive, tem conta bancária e que condiciona a ajuda a você, conforme o montante de dinheiro das suas ofertas.
A igreja da bispa Sonia, chamada Renascer, certamente faria uma teologia diferente, conforme as conveniências dela e do “apóstolo” Hernandez. A igreja do R. R. Soares, certamente, faria um DEUS que adora um envelopezinho. Fomos informados de que há cursos deteologia hoje, com apenas 3 meses de duração, que faculta aos seus participantes afirmarem “Sou formado em teologia”. Por outro lado, já tem outras igrejas, embora também protestantes, as chamadas históricas, que jamais admitiriam conceituar Deus assim e não o veriam da forma como o Edir Macedo, a bispa Sônia e seus discípulos vêem.
O curso de Teologia seria bem diferente, apesar de todas elas se rotularem como Evangélicas.
A “Igreja Pentecostal Deus é Tremendo”, assim como a “Igreja Pentecostal cobra de Moisés, a que engoliu as outras”, se crescessem, o quanto cresceram estas citadas, certamente fariam uma teologia com um Deus Tremendo.
Os umbandistas, também, têm o seu curso de teologia, inclusive universitário. Obviamente conceituam Deus, ou Oxalá, conforme as suas visões.
Imaginem uma teologia feita pelos espíritas. Como conceituaria Deus? Em princípio não admitiriam a pergunta “Quem é Deus?” porque partiriam do “Que é Deus?”, por sua vez já considerariam o Deus em nível de bilhões ou não se sabe quantos “lhões” de Galáxias, cada uma com também não se sabem quantos “lhões” de estrelas e planetas dentro, vários iguais a Terras, outros inferiores e outros superiores à Terra, mas tudo criação e administração dele. Não seria um Deus que teria a Terra como centro do universo. Mas mesmo assim não haveria unidade não, porque alguns iriam achar que Deus nos colocou na Terra para sofrer, para pagar coisas, partindo de um princípio que o sofrimento é a condição “sine qua non” para a evolução. Aí seria, também, um Deus conforme a cabeça de alguns.
Agora partamos para o outro lado da Terra. Imaginem uma teologia feita conforme a cabeça do mundo muçulmano, que também é monoteísta, acreditando também no Deus único que criou a Terra. O nome não é Deus, é Alá. O seu principal emissário à Terra não teria sido Jesus e sim Mohamed, ou Maomé. Também não teria unidade nenhuma, posto que existem enormes diversidades de pensamentos, como existem no cristianismo. Alguns o definiriam como um Deus que, certamente, tem, no “céu”, algum local onde ficam alguns “lhões” de mulheres, VIRGENS, exatamente, com virgindade, hímen e tudo, esperando a chegada de um muçulmano, homem, que acabou de morrer e que chegaria lá, com direito a consumir 70 delas, cada um. Certamente esse Deus deveria ter lá algum espírito superior, ginecologista, para conferir se as mulheres eram virgens mesmo, para esperarem pelos homens quando lá chegassem. Mulher aqui, quando morresse, não teria direito nenhum, porque o Deus conceituado não é muito simpático a mulher, posto que ela nada mais é do que um simples objeto de uso masculino. Imaginem uma faculdade de teologia fundada pelo Bin Laden.
Como seria a conceituação desse Deus? Seria o mesmo Deus que tem uma simpatia toda especial por Israel, como é o Deus da Bíblia? Pelo contrário, seria um Deus que teria ódio mortal por Israel e pelos Estados Unidos.
Enfim, Deus é uma coisa usada pelas religiões, como um produto que pode ser embalado e vendido conforme as conveniências de cada uma.
Fala-se muito em seriedade ao se referir a ele e até em temor a ele, mas, na verdade, há mesmo é muito desrespeito a ele. Imagine se ele ficasse com raiva mesmo e castigasse de verdade as pessoas que não o consideram, como ele realmente deve ser. Felizmente o seu nível é tão grande, tão além da capacidade de percepção humana, que ele compreende quão estreita é a visão das minúsculas criaturas que têm a pretensão de o definir. Por isto não se aborrece e muito menos castiga quem quer que seja. Que ele proteja e dê lucidez a todos nós.
Alamar Régis Carvalho
(Analista de Sistemas, Escritor, ator, profissional de televisão.)
É muito comum ouvirmos e lermos currículos de algumas pessoas que colocam entre os seus “qualificativos” que têm curso de Teologia, formação em Teologia e até DOUTORADO em Teologia. Grandes coisas. Para quem não se dispôs a analisar esta questão com mais profundidade, vem a impressão de que esse suposto “doutorado” tem o mesmo valor e peso que um doutorado em Física, Química, Medicina, Eletrônica, Astronomia e várias outras matérias que, de fato, são matérias lógicas, de conceitos admitidos e inquestionáveis no grande universo. O pior é que no Brasil andam falando em facilidades, para que os tais formados em Teologia possam ter acesso a situações onde devem ficar aqueles que têm formação em matérias úteis.
Mas Alamar, então você quer dizer que uma matéria que se propõe ao estudo de Deus, não é uma matéria útil? Isto que você está dizendo é uma blasfêmia, um desrespeito a Deus. É o que, talvez, possa questionar alguém de visão estreita. Por isto, façamos uma análise sobre a questão, para o raciocínio de cada um.
O que é Deus?
Para a maioria, a pergunta não pode ser feita desta forma e sim “Quem é Deus?” Já começa a divergência por aí. Ao nos dirigirmos a Deus, com a pergunta“Quem é Deus?”, já começamos a estabelecer que ele é uma pessoa, um homem, o que estabelece, ao mesmo tempo, a sua antropomorfização. Pronto: defini então que Deus é um homem, como nós, com as nossas características, com o nosso formato e até com os nossos vícios e paixões. Os incontáveis formatos que, certamente, devem existir nos decilhões de outras estrelas e planetas, dispostos nas bilhões ou não se sabe quantos “lhões” de Galáxias não significam nada, tem que ser conforme a gente, aqui da Terra. Conclui-se que a definição de Deus é formada conforme a visão e conveniência de cada um, principalmente das religiões, que são as congregações humanas que se acham proprietárias dele.
Definir Deus é uma das formas mais claras do homem manifestar a sua presunção. Daí conclui-se, por conseqüência, que os conceitos ensinados no curso de Teologia oferecido é estabelecido conforme a visão do segmento que o fez, conforme a cabeça das lideranças que o ministra. Portanto, não é uma matéria como a Física, por exemplo, que não tem como alguém, aqui no Brasil, fazer de uma forma e alguém, em algum país asiático, fazer de outra.
Por exemplo: A terceira Lei de Isaac Newton, que eu aprendi, é exatamente a mesma que é ensinada na França, na Turquia, no Japão, na Argentina e em qualquer lugar do mundo. Os conceitos de Kepler, Lavoisier, Pascal, Boyle e Mariotte, Ohm e outros são os mesmos. Se eu for chamado a dar uma aula de Física, em Sidney, na Austrália, não terá como ninguém levantar o dedo e contestar, dizendo que lá é diferente. Espaço será igual a velocidade vezes tempo, em qualquer lugar do mundo. Eu não posso inventar uma cinemática, uma estática e uma dinâmica, por exemplo, conforme o que eu achar melhor e mais conveniente. Seria chamado de maluco. Mas Teologia não é assim.
Vamos analisar como seria um programa de curso de Teologia, feito por faculdades mantidas sob a orientação de diversos segmentos religiosos que a gente conhece. Se for de orientação bíblica, por exemplo, certamente conceituará que Deus criou a Terra como o centro principal do Universo, há aproximadamente 6 mil anos, e que todas as estrelas que nós conseguimos ver brilhar, nos céus, foram criadas, depois da Terra e, obviamente, com objetivos de servirem como simples luzinhas para iluminar o nosso planeta, a noite. O Sol foi criado, também depois da Terra, também com objetivo de fazer existir o dia claro, embora se afirme que a noite e o dia foram criados antes dele. Enfim, determinar-se-á que o homem foi criado conforme o relato da estória de Adão, Eva e a Cobra e que esse negócio de homem de Australopithecus, Neanderthal, Cro-Magnon, etc. é tudo conversa fiada e nada disto existiu, apesar da Ciência ter comprovado e da evidência mostrada por inúmeros fósseis. Dinossauros não existiram, milhões de anos na Terra nunca existiram… enfim.
O Deus será conforme aquela visão e pronto, ta acabo, ninguém discute. Ensinam, obviamente conforme a Bíblia, que ele é Deus dos exércitos, de guerras, que destrói, que tem ira, ciúme, que se arrepende e que passa pessoas ao fio da espada, caso não sejam conforme querem os que acham que têm direitos exclusivos sobre a sua imagem. É verdade.
Na Terra tem várias pessoas que se acham donas exclusivas dos nomes de Deus e de Jesus. Impressionante, mas existem. Se o curso de teologia for de orientação católica, por exemplo, a conceituação dele será conforme o dogma católico, a Bíblia adotada pela igreja católica e o catecismo católico. Mas, mesmo assim, teria variações se fosse estabelecido conforme a visão de vários papas. Se fosse de um papa como, por exemplo, o João XXIII… me refiro ao João XXIII recente, maravilhoso, o Cardeal Ângelo Roncalli, o que sucedeu Pio XII e não aquele outro João XXIII (1410 a 1415) safado e sem vergonha, que era um pilantra de marca maior…, com certeza seria um Deus conceituado com valores em nível de um autêntico Deus, porque ele, era um homem bom; mas se fossem outros papas do passado, como vários assassinos e monstros que comandaram a mesma igreja, no passado, com certeza teriam que defender um Deus que permitiria envenenamento de pessoas, luxúrias, enriquecimento às custas do sacrifício das pessoas, torturas, assassinatos, etc… Imaginem, por exemplo, um Teologia escrita sob a orientação do papa Gregório IX, por criaturas como o Tomas de Torquemada e toda aquela corja que instituiu a inquisição. Como seria a conceituação desse Deus?
Aí partamos para uma outra Teologia, mas esta conforme a orientação Protestante. Seria uma só? Haveria uma unidade de pensamento? Claro que não. Teria que ser uma teologia conforme a visão de cada igreja.
O meu querido amigo Renato Prieto, que é o ator principal, no papel de André Luiz, no filme “Nosso Lar”, que estreará em abril, nos principais cinemas do Brasil, está com um novo espetáculo, no teatro:
A morte é uma piada
Em princípio ele está no Teatro Princesa Isabel, em Copacabana, no Rio de Janeiro, depois irá para São Paulo e, em seguida, como já é de costume, temporada nas principais cidades do Brasil.
Renato é o maior nome do teatro espírita, no Brasil e no Mundo, com um histórico de trabalhos que sempre tem lotado os teatros por onde se apresenta.
Se você deseja contactar com ele, para saber maiores informações sobre a peça e, também, para já agendar a apresentação da peça em sua cidade, anote os telefones e e-mail do artista
Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que ele nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma classe inteira.
Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e ‘justo”.
O professor então disse, “Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas.” Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam ‘justas. ‘ Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um “A”…
Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam “B”. Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.
Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos – eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como resultado, a segunda média das provas foi “D”. Ninguém gostou.
Depois da terceira prova, a média geral foi um “F”.
As notas não voltaram a patamares mais altos mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por ‘justiça’ dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça é que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram o ano… Para total surpresa.
O professor explicou que o experimento socialista tinha falhado porque ele foi baseado no menor esforço possível da parte de seus participantes.
Preguiça e mágoas foi o resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual o experimento tinha começado. “Quando a recompensa é grande”, ele disse, “o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável.”
“É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.
É impossível multiplicar riqueza dividindo-a.” Adrian Rogers, 1931
Lembro-me de certa feita, pelos idos 1983, quando um companheiro de trabalho, voltando para casa ao final do expediente sofreu a pior experiência, segundo ele, já vivida.
O carro tipo bugre em que transitava quebrando a barra da direção, capotou, ficando o motorista preso embaixo do mesmo.
O cinto de segurança ficara preso e ele em posição difícil gritava por ajuda. Acendeu a esperança quando, passos ouvidos, percebeu a aproximação da “ajuda”.
Ato seguinte, conforme relata, foi a causa de tantos pesadelos futuros dado o trauma que ficou. O dono dos passos que ouvira, baixando-se ao nível do chão em que se encontrava fez um único gesto: arrancou o relógio que estava em seu braço preso entre as ferragens e em seguida evadiu-se.
O caso acima não seria descrito neste artigo se não fosse a similitude do que estamos lendo e ouvindo nos noticiários sobre o Haiti.
Não estou me referindo aos saques e roubos de pessoas famintas.
Um troca-troca de acusações, destinação de verbas humanitárias e disputa por maiores quantidades de soldados e ONG’s. Contestação por mando territorial por nações quais as do aeroporto da capital e outros terrenos importantes.
Vêm-me a lembrança do antigo companheiro acidentado. Estamos lá para realmente ajudar um povo capenga de tudo ou estamos visualizando somente um grupo potencial de futuros consumidores de nossos produtos?
Que a mão direita não saiba o que a esquerda faz. (Jesus)
Seis meses me separaram dos familiares desde a última vez que os vi. Muita coisa nova me esperava. Vovô Joanim já não se encontrava mais conosco. Sua morte foi-me participada havia dois meses e só agora o fato teve relevância. Ao visitar vovó Lídia, a viúva, pude observar o vácuo deixado por ele. Homem simples, de fácil se dar, me adotara como seu colega de pescaria. Andávamos longos trechos pelos trilhos da Central do Brasil que margeava o Rio Paraibuna e íamos buscar em pesqueiros “secretos” os petiscos do jantar. Agora o vazio.
Meus irmãos cresceram como nunca e exceto por um detalhe interessante, a cada vez que em casa me aportava, tinha a sensação de tudo em casa estar diminuto. A moradia como que se encolhera.
A novidade mais importante foi a inauguraçã de uma casa bem vizinha à nossa. Era uma construção nova pertencente ao Conjunto JK , no local exato onde antes ficava pequena lagoa, objeto das minhas peraltices infantis.
A saudade do local de velhas lembranças, no entanto, logo se esvaiu. Uma figura está sendo a responsável por isso. O nome dela é Mercedes. Longos cabelos compridos, negros e lisos. Mal pude ainda observar seus olhos. É moda os cabelos estarem caídos pelo rosto, qual burka natural. É linda. Tem a minha idade. Filha de numerosa prole sendo uma das caçulas. Já freqüenta nossa casa, amiga de minha irmã Conceição. Tão logo aqui cheguei veio se apresentar e conhecer o visinho “padre”. Desde então me vi perdido em sensações e pensamentos nunca dantes experimentados. Um como fogo ardente queima-me por inteiro. Sinto-me estranho. Mito diferente do que sinto por meus pais, irmão e amigos.
Nunca foi tão gostoso ir à missa. Voltar junto ao grupo que ela estava era um prêmio.
Minha irmã, como soer deve acontecer com todas as mulheres, alcovitando, facilitava os encontros e reencontros. Meus pais, na santa inocência, tinham tudo como muito normal.
O pior é que o tempo dispara justo quando as coisas são boas e favoráveis. Os vinte dias das férias sumiram como por encanto.
Retornando à lide clausural já não tenho mais outros que não pensamentos à Juiz de Fora. Não me seguram mais razões outras que dantes me fixara tão longe dos meus.
Tudo me parece estranho. As luzes e os verdes deste lugar já não brilham nem colorem mais como dantes .
Iniciou-se o segundo período escolar do ano letivo com as atividades pertinentes. Como “terapia ocupacional” qualquer desforço pareceu-me inútil. Por muitas vezes estou sendo chamado à atenção às aulas. Estou sempre no mundo da Lua. Lua com cabelos compridos e olhos escondidos.
Fui chamado a uma reunião particular com o Irmão Reitor. Não imaginava a que se atinha tal encontro. Os resultados escolares do mês em andamento ainda não tinham sido recolhidos. Seria ainda o assunto do cigarro nos bastidores do teatro?
Dia seguinte e após os afazeres matinais, preces e faxinas, sou convocado à tal reunião. Estou mais ansioso que apreensivo. Adentro o gabinete austero do Reitor. Sou convidado a sentar-me e ficar aguardando alguns instantes enquanto o mestre assina uns papéis.
Finalmente, após ler uma ficha que detivera à parte, inicia a conversa perguntando como estou. Respondo-lhe que “bem”. Dá uma espiadela na ficha, que certamente, agora tinha eu convicção, era minha. Diz querer saber o motivo de minhas preocupações atuais, ao que respondo evasivamente, e com sinceridade: “nenhuma”.
Perguntou-me como foram as feiras, como encontrara a família, que locais eu visitara e quem eu conhecera.
Sempre fui muito sincero. A lição que papai mais evidenciou foi a de que nunca mentisse, fosse em que oportunidade fosse. Abri-me pois ao caro superior como sempre o fiz com papai.
O mestre me olhou com carinho e compreensão. Fez-me ver que o que sentia não era pecaminoso ou errado. Muitos que ao seminário chegavam, depois de algum tempo acordavam para outros sentimentos que não o do celibato e da reclusão. No entanto convida-me à oração e reflexão. Que permanecesse ainda o restante do ano em observação. Deixasse o tempo passar. Ao final do período em nova conversa decidiríamos, os dois, o melhor caminho a tomar.
Os dias foram rolando, devagar como carroça ladeira acima.
Agosto chegou e não deixei que terminasse. Pedi nova reunião. E expus minha vontade de partir.
Não houve oposição. Foi como se já se esperasse por este resultado. Só foi pedido tempo para uma troca de correspondência entre a Direção e papai.
Os valores necessários para a viagem chegaram com a resposta de papai.
Não obtive, como praxe, oportunidade para despedidas. Não podia ser o motivo ou estímulo a outras deserções. Muito menos pelos motivos supostamente aventados.
Voltei para o “mundo” no dia 5 de setembro de 1964.
Comigo acompanharam valores imensos. Dos Maristas tive a oportunidade de não só ter crescido como cristão, mas como verdadeiro cidadão, esta última virtude inseparável da primeira.
Não imaginava, no entanto, quanta influência teria estes pouco menos de cinco anos em toda minha existência.
Nota do autor:
A resolução em encerrar nesta data estas pueris “memórias” prende-se ao jubileu de ouro (50 anos) de minha chegada ao Juvenato São José das Palmeiras na Cidade de Mendes – Estado do Rio de Janeiro.
Agradeço de coração às inúmeras postagens realizadas por leitores contumazes deste blog.
Em especial e em nome de todos os outros, nomeio minha gratidão
à “ Manhosa – Loba Virtual” do (http://amanhosalobavirtual.blogspot.com)
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Quantos de nós vimos a foto do Lula em férias carregando um isopor à cabeça em praia privativa?
Mas quantos de nós analisamos o fato em profundidade?
Houve até perseguição e prisão dos jornalistas que se aproximaram de área militar restrita.
Um prato cheio. Se não foi tudo articulado, então foi a maior mancada dada pelo coordenador de imagem do Presidente, pois perdeu boa oportunidade de crescer aos olhos do chefinho.
Analisem a foto acima. Com quem o presidente se parece?
A resposta errada seria “a de todos brasileiros”. Mesmo porque quem está no alto da pirâmide social ou um pouquinho abaixo, não se daria ao desplante de carregar um isopor em verdadera imagem de farofeiro.
Estes, os privilegiados, tem suas mordomias, “leurs valettes en chambre”, ordenanças etc.
Por que então um presidente teria que carregar seu próprio isopor?
Olha… se não foi inspiração de um ser pensante lá do planalto!
Grande imagem. Não igaul a “todos” os brasileiros mas, idêntica à maioria dos brasileiros.
Certamente, quando Lula diz que elegerá seu ou sua sucessores, não está b rincando. Não o fará por golpes a la “morales’ ou “hugo chaves” (letras minúsculas propositais). Far-o-á porque muitos, mas muitos mesmo, ligam-se a imagem que ele vende. Descuplas, mil desculpas, imagem que ele com naturalidade distribui graciosamente.
Muitos de nós somos os praieiros de final de semana. Não trajamos os ternos dos FHC’s nem Sarney’s, tampouco Serra’s. Somos os pés descalços da areia grossa de nossas dificuldades.
Tiro o chapéu para Lula, se foi um gesto natural.
Tiro a chapelaia inteira, se foi um criador de imagens palaciano.
No Programa Nacional de Direitos Humanos ora em destaque em toda mídia em razão dos contraditórios, podemos dar uma paradinha para elaborar reflexões.
Senão vejamos:
É bom que nós identifiquemos as partes envolvidas e as razões alegadas por cada uma:
Ruralistas, representados pelo Ministro Stephanes da Agricultura e pelo sindicato da categoria que encontram no novo projeto de lei a facilitação e aumento da insegurança jurídica no campo, fortificando determinadas organizações, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Militares, pela voz do Ministro Jobim, forçado ou não pelos seus comandados ou simplesmente por anseios políticos (possível candidato a vice na chapa de Serra) não negam e nem são contra que torturadores sejam cobrados por seus atos mas, e tem um “mas” rotundo, que aqueles da esquerda armada, que que mataram, cercearam, roubaram e seqüestraram, também sentem no banco dos réus.
Vejamos que os militares são os primeiros a aceitarem que sejam feitos os ajustes necessários àqueles que mataram ou maltrataram presos políticos, apesar da Lei de anistia irrestrita e geral promulgada a anos atrás.
Não houve, por parte dos ruralistas um mea culpa. Sabe-se que o poderio econômico-interesseiro desaloja pequenos produtores, quer sejam por imposição da força bruta de pistolagem quer seja “adquirindo” pequena propriedades ou expulsando famílias humildes. Tudo em nome do “santo “agro-negócio”.
Não podemos, e nem poderíamos, esquecer os direitos humanos das vítimas e suas famílias feridas e achacotadas pela “justiça” com suas leis e ONG’s que dão primazia aos assassinos, abrindo as cadeias para a liberdade de seus protegidos. Ninguém levantando-se para aqueles, vítimas tanto da violência civil quanto das esquerdas anti-revolucionárias.
No entanto, causa espanto o posicionamento do ministro da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuci que nos permite alocublar sobre os reais motivos de sua decisão em buscar a demissão caso o Programa seja alterado. Note-se que não se trata de uma alteração qualquer mas, a que colocaria no banco da justiça os abusos da esquerda-armada dos anos 60.
Só nos resta conhecer as emoções dos próximos capítulos. Que o povo brasileiro não se deixe envolver por falácias.
Estamos terminando mais um ano. Antes de pensarmos no ano novo que está vindo aí, deveríamos pensar antes sobre o que fizemos do ano que se finda.
Isso não requer um exercício complexo de retrospectiva dos nossos atos em 2009. Bastaria que recordássemos as coisas simples, as atitudes mais corriqueiras, às quais não costumamos dar a importância que merecem. São aparentemente coisas tolas, hábitos e automatismos que nem registramos sequer, mas que no somatório de todas as nossas atitudes terminam pesando na economia os grandes prejuízos morais ou materiais que causamos a nós e aos nossos semelhantes. Elas geram consequências que não chegamos a imaginar por estarem encravadas nas entranhas do nosso personalismo. São pequenos gestos que fazem parte ativa da nossa natureza egoísta, mas que necessitamos mudar se quisermos contribuir para um ano novo mais humanizado.
Por exemplo: vamos aprender a não estacionar o carro em cima da faixa que separa as vagas nos estacionamentos dos hospitais, dos supermercados. Por maior que seja a nossa pressa, o nosso estresse na luta para cumprir nossos deveres, esqueçamos um pouco de nós nesses momentos para pensarmos no outro que vem atrás de nós e que precisa também de um espaço para estacionar. Quem sabe, se a necessidade desse irmão não é maior do que a nossa? Por que, então, ocuparmos duas vagas, quando uma é suficiente para atender às nossas necessidades?
Exercite essa mudança de atitude, agora mesmo, nas festas de fim de ano. Isso é viver a fraternidade na prática. E sem fraternidade nos pequeninos gestos, nas mais simples atitudes, não vamos vivenciá-la nos grandes episódios, nos grandes projetos de mudança. Sem mudar os pequenos vícios, não conquistaremos as grandes virtudes. Outra coisa: aprendamos a calar ante a agressão gratuita. O agressor é alguém muito doente, que quer expelir de qualquer jeito o veneno do ódio que alimenta a violência. Se lhe dermos a atenção que ele deseja, entraremos na sua onda e vamos ser, fatalmente, picados por ele.
Evite também a compulsão, a falta de controle nas suas emoções. Todo excesso gera o desequilíbrio contra a própria saúde. A maioria das doenças tem raíz na alma desajustada, no espírito indisciplinado. Pare, mesmo onde não haja sinal, para que um irmão em aflição possa passar. Acima dos sinais do trânsito na via estão os sinais de Deus na nossa consciência sugerindo paciência, tolerância. Se todos se recusam a fazer o bem, façamos nós que já temos a felicidade de percebê-lo. Não se aflija porque o seu Natal prenuncia dificuldades e provações. Jesus também nasceu entre dificuldades, mas continua sendo a esperança do mundo a cada ano que se inicia.
Wanderley Pereira
(Wanderley Pereira é articulista do Site Espírita www.gepe.org.br)
Concomitante às perturbações políticas da nação brasileira, nossa vida em seminário segue a rotina usual só quebrada pela saída abrupta do nosso convívio de colegas, muitas vezes amigos chegados. A cada separação repentina cabe a quem fica a administração da perda.
Dá-se o nome de “ir para a bica”, o fato das saídas súbitas. O significado do cognome dado a este evento, conforme reza a tradição local, é do e um sujeito que vai à bica para saciar a sede, escorrega e cai.
Vê-se que o sentido de queda não é aleatório. Associa-se ao episódio como derrota, ruína, perda e prejuízo. Há um quê de cuidados para não permitir muitos comentários sobre os afastamentos. Censura explicada, talvez, pela maledicência que daí pode advir ou, a meu julgamento, para evitar que companheiros simpáticos ao que “embicara” possam, sem razões maiores, seguirem os seus passos.
O certo é que eu analiso as reações de toda comunidade, já me colocando como um dos próximos candidatos a resvalar no “limo da bica”.
Iniciado o ano escolar, como de costume, é dada a partida aos ensaios de nova peça teatral. Meu papel, coadjuvante e de menor importância, com poucas falas, tem porém, significado no enredo de “JULIANO O APÓSTATA”. Peça que traduzia a saga dos primeiros cristão ao tempo das perseguições.
Os cuidados da trupe na construção dos figurinos eram desde cedo tomados. Cada qual laborava, baseados em um projeto, na construção dos capacetes dos soldados romanos, da coroa do rei, dos mantos, arcos e flechas, lanças, panos de bastidores etc.
Duas a três dezenas de companheiros estão investidos na façanha que apresentaremos em meados do ano. O interessante é que o Irmão Constantino, sempre solicito e amável, é severo o bastante para nos exigir mantenhamos em segredo não só o enredo da peça como até mesmo o seu título. Não me recordo de que em anos anteriores houvessem vazamentos.
Eu farei também parte de uma esquete, geralmente humorística, que entremeia os atos da peça teatral permitindo que os bastidores sejam reformulados às exigências do enredo.
No cenário político os acontecimentos precipitaram-se: Os militares, sustentados pela Igreja Católica e outras organizações da sociedade que clamam por ordem na ameaça anárquica, toma a frente e o General Aragão Filho lidera, com as forças vindas de Minas Gerais, abafando qualquer levante a favor do infeliz João Belchior Marques Goulart, presidente perdido em querer transferir ao solo brasileiro um regime socialista.
De resto, rotina, rotina, rotina.
Junho desponta como sempre com os esperados festejos de São João, as apresentações teatrais tão aguardadas e a novidade: férias do meio de ano em família, dantes nunca ocorridas.
A apresentação teatral, muito competida pelos convidados como todos os anos. Os trabalhos, tanto por parte dos atores como sonoplastia e iluminação, impecáveis. Só um acontecimento arranhou minha participação: enquanto aguardava a apresentação do terceiro ato da peça principal, e após ter concluída a exposição da esquete, estando eu e mais três colegas nos alçapões do palco, acendemos e “apreciamos” um cigarro retirado de um maço adquirido pelo contra-regras e usado pelo ator humorístico. Não contávamos com a ingerência do nosso Reitor Irmão Zeno Ângelo Camata, que certamente já pressentindo alguma peripécia nossa, nos pega em fragrante. Nada foi dito, nada se escutou. Basta seu olhar de inquisidor sobre os óculos redondos, grossos de aro fino para saber que estava tudo muito, muito censurável.
O tempo passou, saímos de férias e nenhuma conseqüência da peraltice praticada, aparentemente, teve curso.
Eu escrevi o artigo anterior para a minha lista de amigos e muitos, por sua vez, achando o alerta interessante, retransmitiram para várias outras pessoas.
Aí, algumas pessoas me retornaram, dizendo:
- “Eu não estou tendo esse tipo de problema, porque mando os emails e as pessoas recebem”.
É isto que eu preciso explicar melhor:
Existem milhares de provedores pelo mundo, (talvez já chegue à casa dos milhões), mas nem todos eles possuem aquilo que chamam de “filtros de e-mails e IPs bloqueados”, que são recursos de softwares (programas de computador) para barrar as mensagens que são enviadas pelos que estão com os nomes nas tais listas negras.
Por causa disto, algumas pessoas, que estão com os nomes marcados, recebem respostas de ALGUNS, e acham que não estão tendo problema nenhum.
Isto quer dizer o seguinte: Vamos que você tenha uma lista de 300 amigos, para o quais manda e-mails regularmente. Ao enviar as mensagens, vamos que você receba respostas de umas quarenta ou cinqüenta pessoas.
Primeiro que você nem faz as contas, pra saber quantas pessoas, de fato, lhe respondem. Acha que todo mundo responde.
Mas, mesmo que perceba que nem todos respondem, o que é que você vai achar?
Que não tem problema nenhum, que somente aquelas se dispuseram a responder e que as outras não quiseram, não tiveram tempo de lhe responder ou não leram, ainda, o que você escreveu.
Ninguém costuma cobrar, de todos os membros da sua lista, o porquê deles não terem respondido o e-mail que lhe foi enviado.
E por isto, ninguém se dá conta do que acontece.
O que aconteceu, neste caso?
As pessoas que receberam, por acaso, são pessoas que estão ligadas a provedores que não têm os tais filtros bloqueadores.
Veja agora como a ação política é feita
Vamos supor que você costuma mandar e-mails, criticando anormalidades, abusos e safadezas cometidas pela prefeitura da sua cidade ou por algum político.
É claro que eles, os safados, vão receber também o seu e-mail, porque alguém fará chegar até os seus emails.
Muito sutilmente eles mandarão um fiscal, com muito jeitinho, para ter uma conversinha com o dono do provedor, levando o seu e-mail para que ele bloqueie ou pedindo para que ele identifique e bloqueie logo o seu IP. (é fácil identificar o IP de uma pessoa, através dos e-mails que ela manda).
O provedor, certamente, não vai deixar de atender um pedido daquele porque poderá ser alvo de perseguição, pelas fiscalizações rigorosas e tudo aquilo que a fiscalização é capaz de fazer, quando não vai com a cara de alguém.
Entendeu, agora, como se processa a safadeza?
Agora visualize esta mesma coisa em nível estadual e em nível federal.
Basta um deputado influente, safado, ligar para um secretário de estado, ou secretário municipal, e a ação acontece, na hora.
O que fazer, então?
Já que você sabe como a coisa acontece, sugiro que comece a tomar as providências para ver como está o seu IP, que é o mais importante.
Existe um site que você entra e que, na hora, mostra o seu IP:
Coloque o seu IP lá, no espaço que você vai ver, logo de cara, e acione QUERY, que aparecerá a mensagem, dando conta da situação do seu IP.
Se aparecer: “congratulations”, não tem problema nenhum, mas pode aparecer uma mensagem dizendo que o seu IP consta lá.
Mas tem outras orientações que eu não dei no email anterior, que vou dar agora:
Caso o seu IP apareça na lista, você poderá tentar trocá-lo, pelo seu próprio computador e, de repente, o novo IP estará livre. Para isto, deverá fazer o seguinte:
Vá no botão INICIAR, do seu windows, e acione a opção EXECUTAR.
Ali em EXECUTAR você vai escrever: CMD.
Vai aparecer uma tela preta, onde você escreverá o seguinte:
>ipconfig /release
>ipconfig /all
>ipconfig /renew
Pronto. Teoricamente ele deverá lhe dar um novo IP.
Daí é só ir novamente lá, no programa para ver o IP, e repetir o procedimento que ensinei antes.
Mas ainda tem detalhes mais chatos:
É possível que o nível de perversidade praticada contra você seja de uma forma mais rigorosa, que os bandidos programam para ficarem de olho em toda tentativa de troca de e-mail que você possa fazer e, imediatamente, automaticamente, colocam na lista o novo IP que substituiu o seu anterior. Foi o que aconteceu comigo.
Aí a sua providência tem que ser a seguinte:
Mande, pelo correio, uma carta com AVISO DE RECEBIMENTO para o seu provedor, exigindo que ele resolva o problema imediatamente, e ameace entrar na justiça contra ele.
Não aceite nenhuma espécie de argumentação do tipo “Nós não podemos fazer nada”, “você vai ter que pagar para evitar este problema”, “a culpa é do seu antivírus”… enfim, não vá nessa conversa, embora você tenha a obrigação de ter sempre um bom antivírus funcionando em sua máquina.
Se ele não atender, entre com ação no Juizado de Pequenas Causas e exija, inclusive, indenização. A cópia do aviso de recebimento da carta, enviada pelo correio, anexada ao processo, é uma prova de que você tentou resolver o problema, através do provedor e eles não atenderam.
Se todos fizerem assim, a pressão se torna grande, em nível nacional, e a tendência é essa safadeza acabar, porque os safados perceberão que todo mundo já está sabendo, todo mundo já está de olho e esse tipo de ação canalha não cola mais.
Vamos agir, Brasil!!!!!! FELIZ ANO NOVO.
Alamar Régis Carvalho
Analista de Sistemas, Escritor, ator, profissional de televisão.
Falei sobre este assunto, no artigo anterior, mas acho importante voltar a informar sobre o fato, devido a sua gravidade, insensatez, estupidez e o abuso que muitos fazem das pessoas, se aproveitando da desinformação do povo, acerca dos assuntos de tecnologia.
Qualquer tipo de censura é repugnante, é nojenta, é vergonhosa, é covarde e deve ser combatida por todas as pessoas, principalmente as destemidas e que não têm rabo preso.
Há uma situação que muitos conhecem: Governantes e lideranças inescrupulosas e descomprometidas com a honestidade, adoram manter o seu povo e os seus liderados na ignorância, para mantê-los sob as suas rédeas e as suas conveniências.
Povo bem informado não se deixa levar pelas malandragens e demagogias da política.
A censura é um instrumento ridículo, utilizado para calar aqueles que não são bobos e nem idiotas, que tem visões profundas e, portanto, não se deixam manipular por ninguém e se dispõem a alertar e esclarecer o maior número possível de pessoas, a fim de que elas fiquem prevenidas contra as ações dos safados e pilantras.
Existe, em Brasília, um movimento político muito forte querendo controlar a imprensa, voltando a estabelecer um regime de censura bem mais rigoroso do que aquele que já vivemos em épocas passadas. O que estão fazendo com o tradicional e respeitável jornal “O Estado de São Paulo” é uma demonstração disto, que só não teve, ainda, uma ação mais dura em nosso País, graças à recusa do presidente Lula de participar disto, haja vista a sua disposição de reafirmar ser defensor da Liberdade absoluta da imprensa. Eu fico em dúvida, sinceramente, sobre esta posição do Lula, já que ele morre de amores pelo Hugo Chaves, um dos mais arbitrários ditadores da atualidade, que fez o que fez com a imprensa do seu país.
Com certeza, trata-se de um movimento constituído por grandes corruptos, safados, canalhas e pilantrasenvolvidos com os grandes esquemas de corrupção, que estão se sentindo incomodados com o rigor como a imprensa está tratando, incansavelmente, todas as denúncias que estão sendo feitas, mostrando repetidamente as imagens captadas pelas câmeras escondidas, que fazem o público ver as safadezas explícitas.
Toda iniciativa de censura no Brasil, com certeza absoluta tem, por trás, um grupo de corruptos, gente extremamente suja, safada e sem vergonha, que não quer que os seus roubos e sujeiras sejam denunciadas e muito menos expostas ao público
A internet, também, está sendo visada pelos bandidos da corrupção, porque já está provada a potência de comunicação que ela é, principalmente depois da contribuição extraordinária que ela deu para a eleição do Barack Obama, como presidente dos Estados Unidos.
Com certeza ela vai ter uma influência muito grande na próxima eleição, em nosso país, e muitos safados, sabendo que ela é livre, temem muito pelo que pode acontecer. Muita coisa virá a tona, muita safadeza será mostrada, é claro que muito boato também, e muita máscara será derrubada.
Por isto todos temos que fazer a nossa parte para coibir qualquer tipo de ação que possa cercear o direito de expressão livre, por este meio tecnológico.
Peço a atenção de todos para isto que vou orientar aqui:
Como se processa essa censura na internet?
Quando você entra no mundo da internet, inevitavelmente você tem que se vincular a um provedor de internet, que é aquela empresa que você contrata na sua cidade e paga uma mensalidade, podendo ser até “de graça” em alguns casos. Mas a grande realidade é que você está sempre ligado a esse tal provedor, é ele quem controla tudo o que você faz, em condições de lhe retirar do ar, caso você não pague ou caso você faça alguma coisa contrária ao que é estabelecido em algum contrato.
Existem duas coisas que lhe identificam, para o mundo internet: o seu e-mail e o IP da sua máquina.
Por exemplo: É possível que na sua casa, além de você, residam duas, três, quatro, dez ou até mais pessoas que tenham acesso à internet, contratada por alguém da casa. Cada pessoa desta pode ter um e-mail particular, mas, a internet, que todos acessam, tem apenas um endereço de IP, que se resume em um número que tem um formato mais ou menos assim: “126.322.69.96”.
Pronto. Esta é a identificação da INTERNET da sua casa, que pode ter um equipamentozinho chamado roteador, que interliga um ou mais de um computador dentro de casa ou até dentro de uma empresa.
O grande detalhe é o seguinte: Os provedores podem bloquear A PESSOA, através do seu e-mail.
Isto quer dizer que, se na sua casa tiver, por exemplo, 3 pessoas, é possível que apenas uma delas, dona de um determinado e-mail, esteja bloqueada, mas as outras duas estarão livres.
Implica no seguinte: O e-mail dessa pessoa é colocado numa tal lista negra, internacional, que é uma espécie de SPC/SERASA, e ela fica queimada em relação a toda internet, o que quer dizer que as mensagens que ela manda, quando passam por inúmeros provedores, são bloqueados, através de um tal filtro, e colocadas numa espécie de lixo, não chegando, portanto, aos seus destinatários.
Este é, então, o bloqueio pelo e-mail, que atinge a pessoa sua dona. Mas existe, também, o bloqueio pelo IP que, neste caso, vai bloquear todas as pessoas que utilizam a internet daquela casa, ou daquela empresa, porque tudo o que sai dali, conduz o IP que será o identificador.
O efeito é o mesmo. Existe a lista negra de e-mails e existe, também, a lista negra de IPs.
Mas, por que isto foi criado?
Esta tecnologia foi criada com objetivos nobres, para evitar a ação dos chamados “bandidos virtuais”, que são aquelas pessoas perversas e covardes que enviam vírus e trafegam os inconvenientes SPAMs, que é o nome que se dá àquelas mensagens chatas e indesejadas que chegam aos nossos e-mails, entupindo inclusive as nossas caixas postais, sem que queiramos recebê-las, obviamente.
Pois bem.
Só que isto está sendo utilizado por forças políticas e interesses outros, com objetivos de bloquearem pessoas, sobretudo aquelas que costumam escrever artigos e crônicas com críticas às safadezas que acontecem em nosso país, no estado ou no município.
Quando a ação é feita, ou seja, quando alguém resolve bloquear o seu e-mail ou o seu IP, ninguém lhe comunica nada, você não fica sabendo de nada e a grande maioria das pessoas nem tem idéia que isto é possível e que acontece.
Alamar Régis Carvalho
Analista de Sistemas, Escritor, ator, profissional de televisão.
PARA “DEGUSTAÇÃO” DOS NOSSOS AMIGOS
E PRINCIPALMENTE EXEGETAS…
Lembram-se daquele Juiz de Niterói que entrou na Justiça contra o condomínio em que mora, por causa do tratamento de ‘você’ dado pelo porteiro?
Pois é, saiu à sentença.
Observe a bela redação, sucinta, bem argumentada, até se solidariza com o juiz que se queixa, mas…
Bom, leia a sentença abaixo.
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO COMARCA DE
NITERÓI – NANI VARA CÍVEL - Processo n°002.00344-4
S E N T E N Ç A
Cuidam-se os autos de ação de obrigação de fazer manejada por “Fulano de Tal” (o site deixa de citar nomes por motivos óbvios) contra o CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO Tal e Tal e a funcionária tal e tal, alegando o autor fatos precedentes ocorridos no interior do prédio que o levaram a pedir que fosse tratado formalmente de ’senhor’. Disse o requer ente que sofreu danos, e que esperava a procedência do pedido inicial para dar a ele autor e suas visitas o tratamento de ‘Doutor’, senhor’ ‘Doutora’, ’senhora’, sob pena de multa diária a ser fixada judicialmente, bem como requereu a condenação dos réus em dano moral não inferior a 100 salários mínimos. (…)
DECIDO.
‘O problema do fundamento de um direito apresenta-se diferentemente conforme se trate de buscar o fundamento de um direito que se tem ou de um direito que se gostaria de ter.’ (Noberto Bobbio, in ‘A Era dos Direitos’, Editora Campus, pg. 15).
Trata-se o autor de Juiz digno, merecendo todo o respeito deste sentenciante e de todas as demais pessoas da sociedade, não se justificando tamanha publicidade que tomou este processo. Agiu o requerente como jurisdicionado, na crença de seu direito. Plausível sua conduta, na medida em que atribuiu ao Estado a solução do conflito.
Não deseja o ilustre Juiz tola bajulice, nem esta ação pode ter conotação de incompreensível futilidade. O cerne do inconformismo é de cunho eminentemente subjetivo, e ninguém, a não ser o próprio autor, sente tal dor, e este sentenciante bem compreende o que tanto incomoda o probo Requerente. Está claro que não quer, nem nunca quis o autor, impor medo de autoridade, ou que lhe dediquem cumprimento laudatório, posto que é homem de notada grandeza e virtude. Entretanto, entendo que não lhe assiste razão jurídica na pretensão deduzida. ‘Doutor’ não é forma de tratamento, e sim título acadêmico utilizado apenas quando se apresenta tese a uma banca e esta a julga merecedora de um doutoramento. Emprega-se apenas às pessoas que tenham tal grau, e mesmo assim no meio universitário. Constitui-se mera tradição referir-se a outras pessoas de ‘doutor’, sem o ser, e fora do meio acadêmico.
Daí a expressão doutor honoris causa – para a honra -, que se trata de título conferido por uma universidade à guisa de homenagem a determinada pessoa, sem submetê-la a exame.
Por outro lado, vale lembrar que ‘professor’ e ‘mestre’ são títulos exclusivos dos que se dedicam ao magistério, após concluído o curso de mestrado. Embora a expressão ’senhor’ confira a desejada formalidade às comunicações - não é pronome -, e possa até o autor aspirar distanciamento em relação a qualquer pessoa, afastando intimidades, não existe regra legal que imponha obrigação ao empregado do condomínio a ele assim se referir.
O empregado que se refere ao autor por ‘você’, pode estar sendo cortês, posto que ‘você’ não é pronome depreciativo.
Isso é formalidade, decorrente do estilo de fala, sem quebra de hierarquia ou incidência de insubordinação.
Fala-se segundo sua classe social.
O brasileiro tem tendência na variedade coloquial relaxada, em especial a classe ’semi-culta’, que sequer se importa com isso.
Na verdade ‘você’ é variante – contração da alocução – do tratamento respeitoso ‘Vossa Mercê’. A professora de linguística Eliana Pitombo Teixeira ensina que os textos literários que apresentam altas frequências do pronome ’você’, devem ser classificados como formais.
Em qualquer lugar desse país, é usual as pessoas serem chamadas de ’seu’ ou ‘dona’, e isso é tratamento formal.
Em recente pesquisa universitária, constatou-se que o simples uso do nome da pessoa substitui o senhor/ a senhora e você quando usados como prenome, isso porque soa como pejorativo tratamento diferente. Na edição promovida por Jorge Amado ‘Crônica de Viver Baiano Seiscentista’, nos poemas de Gregório de Matos, destacou o escritor que Miércio Táti anotara que ‘você’ é tratamento cerimonioso. (Rio de Janeiro/ São Paulo, Record, 1999).
Urge ressaltar que tratamento cerimonioso é reservado a círculos fechados da diplomacia, clero, governo, judiciário e meio acadêmico, como já se disse. A própria Presidência da República fez publicar Manual de Redação instituindo o protocolo interno entre os demais Poderes. Mas na relação social não há ritual litúrgico a ser obedecido. Por isso que se diz que a alternância de ‘você’ e ’senhor’ traduz-se numa questão sociolinguística, de difícil equação num país como o Brasil de várias influências regionais.
Ao Judiciário não compete decidir sobre a relação de educação, etiqueta, cortesia ou coisas do gênero, a ser estabelecida entre o empregado do condomínio e o condômino, posto que isso é tema interna corpore daquela própria comunidade.
Isto posto, por estar convicto de que inexiste direito a ser agasalhado, mesmo que lamentando o incômodo pessoal experimentado pelo ilustre autor, julgo improcedente o
pedido inicial, condenando o postulante no pagamento de custas e honorários de 10% sobre o valor da causa.
P.R.I. Niterói, 2 de maio de 2005.
Fulano de Tal
Juiz de Direito
( Não é que, neste país ainda existem juristas honrados e
cultos! Nem tudo esta perdido… Aleluia!!!)
Trailer oficial do documentário longa-metragem que estréia em 2010
Documentário conta história de vítima da violência da guerrilha durante o regime militar.
Pela primeira vez no Cinema Brasileiro, longa-metragem mostra histórias de violência dos 2 lados: da repressão militar e do terrorismo de extrema esquerda.
Reparação é o título do documentário de longa-metragem em High Definition que conta a história de Orlando Lovecchio, vítima de um atentado a bomba praticado pela guerrilha que lutava contra o regime militar no Brasil, em 1968. Orlando perdeu a perna no célebre atentado ao Consulado dos EUA em São Paulo e, ainda hoje, em 2009, luta por justiça: como não é considerado uma vítima da ditadura militar, a aposentadoria que recebe é menor que a do autor do atentado que o vitimou e enterrou para sempre seu sonho de ser piloto de avião. O episódio envolvendo Orlando e seus desdobramentos tem merecido amplo e constante destaque na imprensa.
A partir deste caso, o filme provoca uma reflexão a respeito do período militar, da violência de grupos extremistas ontem e hoje na América Latina, da ditadura cubana que persiste até hoje com o apoio de democratas em todo o continente, além da relação ainda conflituosa existente entre o aparelho repressivo do Estado e os cidadãos comuns.
Com depoimentos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do historiador Marco Antonio Villa, do jornalista Demétrio Magnolli, entre outros, Reparação pretende iniciar uma nova discussão sobre o período militar dentro do contexto do Cinema Brasileiro, que até hoje tem falhado por mostrar apenas um lado dos que viveram a época, de uma forma muitas vezes maniqueísta (como se a História pudesse ser resumida a um eterno embate do bem contra o mal)
Em uma abordagem franca e sem amarras partidárias ou ideológicas, Reparação comprova sua total independência ao não ter recorrido às verbas públicas para sua realização.
Uma prova de que o Cinema Brasileiro pode suscitar o debate com qualidade técnica e total independência estética e de pensamento.
(Esse Currículo foi realmente enviado para algumas empresas. )
APRESENTAÇÃO PESSOAL
MEU NOME?
Lucas Lopes Batista – 23 anos. Não vou colocar meu cpf porque agora virou moda pedir cpf, meu nome está no SPC, mas não é porque sou caloteiro é porque estou com um débito alto da faculdade e estou sem grana para pagar. Agora se vocês me derem a oportunidade de trabalho com certeza pagarei mais rápido.
ENDEREÇO?
Eu moro no bairro de Nazaré – Salvador/ Ba. Não preciso mencionar a rua, pois acredito que no momento vocês não virão me visitar e nem me enviarão correspondências.
CONTATO
É, o telefone eu posso dar caso vocês queiram me ligar pra marcar uma entrevista. 8178-9515.
FORMAÇÃO ACADÊMICA Estava cursando Produção Editorial na Hélio Rocha. Tranquei por problemas técnicos (no bolso), pretendo resolver o mais rápido possível para voltar logo!
EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
A minha é grande! (Para quem tem 23 anos)
Estagiei na Petrobrás Distribuidora S/A. em 2001. Assim que sai de lá fui trabalhar numa locadora de filmes na graça. Fiquei dois meses porque A Fórmula uma empresa maior (e melhor) me chamou, comecei lá em 2002 sai em 2005 foi a empresa que durei mais. Era muito boa, lá eu aprendi melhor relacionamento humano, como lidar com colegas de trabalho, infelizmente o meu horário de trabalho estava atrapalhando na faculdade. (Uma pena, mas a fila anda). Coincidiu que no mesmo mês a Atento (Vivo) me chamou e eram 6 horas, não atrapalhava na faculdade. Achei que lá era o Paraíso Tropical, mas de Paraíso não tinha nada. Era um trabalho chato e estressante. (Eu sou agitado, apesar de não parecer) detesto ficar sentado muito tempo. Depois de um ano quebrei as correntes da escravidão e fui pra uma locadora falida lá em Vilas do Atlântico (Vídeo Vilas). Lá eram 5 horas e pagava legal, mas como felicidade de pobre dura pouco; eu tinha um chefe-infernal (Estilo Meryl Streep em “O Diabo Veste Prada”) agüentei seis meses e pedi pra sair. Depois de três meses na dança-do-desempregado fui dar aulas de informática no colégio Mundial (Vila Laura) lá era tudo ótimo, chefe, colegas, alunos, só que como nada é perfeito o salário não era lá uma Brastemp.Quando estava me acostumado com o lugar a empresa Politec que presta serviços pra Caixa me chamou pra seleção e blá, blá, blá. O salário era melhor e como a grana fala mais alto (ou melhor gritaaaaa!) pedi pra sair do colégio com o broken heart, mas fazer o quê? É a vida é bonita e é bonita…Viver e não ter a vergonha de ser feliz. Agora estou aqui sendo sincero com vocês sabendo que meu New Currículo vai parar na próxima lixeira, e eu sou o bom, eu sou o cara, basta ver meu currículo, em todos os casos, caso mude de idéia é só ligar..
INDIOMA
Antes eu mentia coloca no currículo que tinha Inglês – fluente e Espanhol – básico
Tudo balela! Em Inglês, só sei What´s your name, How are you e etc.
Aliás, não sei pra que pedem inglês no currículo, sei da importância de possuir um Idioma e pretendo aprender o inglês e outra língua que puder, mas realmente inglês para exercer funções simples é desnecessário, aqui na Bahia tem mesmo é que saber o ó xenti que o nosso be a bá.
CURSOS
Tenho os cursos básicos de: capoeira, empacotador, tele-marketing, informática (sem o tal de Windows e Excel), atendimento a clientes e vendas, relacionamento humano, comédia corporativa e estou me escrevendo para um curso de acarajé (ninguém sabe do futuro né?).
TALENTOS
Não é querendo me gabar, mas é o que eu possuo de melhor, infelizmente nos cargos que ocupei não tive a oportunidade de mostrar meus talentos. Só na A Fórmula que tive a oportunidade de organizar alguns eventos e mostrar um pouco minhas facetas, um dia ainda vou estar na Globo.
Obs: A iniciativa de criar este currículo foi para inovar, porque assim vocês ficam me conhecendo melhor e evitam o transtorno de me chamar para uma entrevista e fazer eu gastar R$ 4,00 de transporte e me reprovarem numa dinâmica de gente, poupa meu bolso e poupa o tempo de vocês. E tem mais! Este currículo é só para pessoas dinâmicas e com a cabeça aberta , papo cabeça, cabeça feita meu rei, se você for antiquado (a), museu, tiver alma de “velho” com certeza jogará este currículo na lixeira. Mas estará perdendo a grande oportunidade de me conhecer e de repente a grande chance de ter o melhor funcionário da Bahia! Desde já agradeço a atenção. ASSINADO
1. ONGs vão pipocar dizendo que apóiam o esporte, tiram crianças das ruas e
as afastam das drogas. Após as olimpíadas estas ONGs desaparecerão e serão
investigadas por desvio de dinheiro público. Ninguém será preso ou
indiciado.
2. Um grupo de funk vai fazer sucesso com uma música (?) que diz: vou pegar
na tua tocha e você põe na minha pira; sendo que eles nunca souberam o que
era uma pira até então.
3. Um ano antes a Globo vai instalar aqueles relógios ridículos na orla de
Copacabana e em outras capitais fazendo a contagem regressiva pro início dos
jogos.
4. Uma escola de samba vai homenagear os jogos, rimando “barão de coubertin”
com “sol da manhã”. Gilberto Gil virá no ultimo carro alegórico vestido de
lantejoulas douradas representando o “espírito olímpico do carioca visitando
a corte do Olimpo num dia de sol ao raiar do fogo da vitória”.
5. Haverá um concurso pra nomear a mascote dos jogos que será um desenho
misturando um índio, o sol do Rio, o Pão de Açúcar e o carnaval, criado por
Hans Donner. Os finalistas serão nomes tais como: “Zé do Olimpo”,
“ChicoTochinha” e “Kaíque Maratoninha”.
6. Luciano Huck vai eleger a Musa dos jogos, concurso que durará um ano e
elegerá uma modelo chama Kathy Mileine Suellen da Silva.
7. Milhões de produtos serão anunciados como oficiais dos jogos, desde as
habituais camisetas EU VOU RIO 2016 até calcinhas e lógico, biquínis que de
tão pequenos terão apenas 2 dos 5 anéis olímpicos.
Abertura dos jogos
1. A tocha olímpica será roubada ao passar pela baixada fluminense. O COB
vai encomendar outra em urgência pro carnavalesco da Beija flor.
2. Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e a bateria da mangueira farão um show na
praia de Copacabana pra comemorar a chegada do fogo olímpico ao Rio. Por
motivo de segurança, Zeca Pagodinho será impedido de ficar a menos de 500
metros da tocha.
3. Durante o percurso da tocha, os brasileiros vão invadir a rua e correr ao
lado do atleta que porta a mesma carregando cartolinas cor de rosa onde se
lê GALVÃO FILMA NÓIS, 100% FAVELA DO RATO MOLHADO.
4. Pelé vai errar o nome do presidente do COI, discursar em inglês
macarrônico elogiando o povo carioca e ao final vai tropeçar no carpete que
foi colado 15 minutos antes do início da cerimônia.
5. Claudia Leitte e Ivete Sangalo vão cantar o “hino das olimpíadas”
composto por Latino e MC Medalha. As duas vão duelar durante a música pra
aparecer mais na TV.
6. Durante o Hino Nacional Brasileiro a platéia vai errar a letra, chorar
como se entendesse o que está cantando e aplaudir no final como se fosse um
gol.
7. Uma brasileira vai ser filmada várias vezes com um top amarelo, um
shortinho verde e a bandeira do Brasil pintada da bochecha. Depois dos jogos
ela posará pra Playboy sem o top e sem o shortinho, mas com a bandeira
pintada em outras partes que também começam com a letra B.
8. Por falta de gás na última hora, já que a cerimônia só foi ensaiada
durante a madrugada pela primeira vez, a pira não vai funcionar. Zeca
Pagodinho será o substituto temporário já que a Brahma é um dos
patrocinadores. Em entrevista ao Fantástico ele dirá que não se lembra
direito do fato.
9. 74 passistas de fio-dental vão iniciar a cerimônia mostrando o legado
cultural do rio ao mundo: a bala perdida, o tráfico, o funk e a favela.
10. Durante os jogos de tênis a platéia brasileira vai vaiar os jogadores
argentinos obrigando o árbitro a pedir silêncio 774 vezes. Como ele pedirá
em inglês, ninguém vai entender e vai continuar vaiando. Galvão Bueno vai
dizer que vaiar é bom, mas vaiar os argentinos é melhor ainda. Oscar
concordará e depois pedirá desculpas chorando no programa do Gugu.
11. Um simpático cachorro vira-lata furará o esquema de segurança invadindo
o desfile da delegação jamaicana. Será carregado por um dos atletas e
permanecerá no gramado do Maracanã durante toda cerimônia. Será motivo de
200 reportagens, apelidado de Marley e será adotado por uma modelo emergente
que ficará com dó do pobre animalzinho e dirá que ele é gente como a gente.
12. Adriane Galisteu posará pra capa de CARAS ao lado do grande amor da sua
vida, um executivo do COB, claro.
13. Os pombos soltos durante a cerimônia serão alvejados por tiros
disparados por uma favela próxima e vendidos assados na saída do maracanã
por “dois real”.
Durante os jogos
1. Caetano Veloso dará entrevista dizendo que o Rio é lindo, a cerimônia de
abertura foi linda e que aquele negão da camiseta 74 da seleção americana de
basquete é lindo.
2. uma modelo-manequim-piranha-atriz-exBBB vai engravidar de um jogador de
hóquei americano. Sua mãe vai dar entrevista na Luciana Gimenez dizendo que
sua filha era virgem até ontem, apesar de ter namorado 74 homens nos últimos
seis meses e que o atleta americano a seduziu com falsas promessas de vida
nos EUA. Após o nascimento do bebê ela posará nua e terá um programa de
fofocas numa rede de TV de menor expressão.
3. No primeiro dia, os EUA, a China e o Canadá já somarão 74 medalhas de
ouro, 82 de prata e 4 de bronze. Os jornalistas brasileiros vão dizer a cada
segundo que o Brasil é esperança de medalha em 200 modalidades e certeza de
medalha em outras 74.
4. Faltando 3 dias para o fim dos jogos, o Brasil terá 3 medalhas de bronze
e 1 de ouro, ganha por atletas desconhecidos até então num esporte tipo
“caiaque em dupla”. Eles vão ser idolatrados por 15 minutos (somando todas
as emissoras abertas e a cabo) como exemplos de força e determinação, a Hebe
vai dizer que eles são “uma gracinha” ao posar mordendo a medalha e nunca
mais se ouvirá os nomes dos atletas.
5. A seleção brasileira de futebol comandada por Ronaldo Fenômeno tendo Obina
como assessor vai chegar como favorita. Passara fácil pela primeira fase e
entrará de salto alto na fase final, perdendo pra seleção de Sumatra por
humilhantes 3X0 tendo que disputar a medalha de bronze com um país
centro-americano.
Vencerá por 1X0 e não comparecerá à cerimônia de entrega das medalhas porque
os jogadores inexplicavelmente tinham compromisso em seus clubes europeus.
6. A seleção americana de vôlei visitará uma escola patrocinada pelo Criança
Esperança. Nenhuma criança vai entender nada do que eles falarão mas vão rir
pra valer ao aparecer na TV. Três meninos vão ganhar uma bola e um uniforme
completo dos jogadores e serão encontrados mortos na semana seguinte. Os
uniformes nunca mais serão vistos.
7. Os traficantes da Rocinha vão roubar aquele pó branco que os ginastas
passam na mão. Um atleta cubano será encontrado morto numa boate do Baixo
Leblon depois de cheirá-lo. O COB, a fim de não atrasar as competições de
ginástica vai substituir o tal pó pelo cimento que estará estocado nos
fundos do ginásio visto que as obras ainda não terão terminado, fato que
será usado como desculpa pela eliminação dos ginastas brasileiros.
8. Um atleta brasileiro nunca visto antes terminará em 74º lugar na sua
modalidade e roubará a cena ao levantar a camiseta mostrando outra onde se
lê : JARDIM MATILDE NA VEIA.
9. Vários atletas brasileiros apontados como promessa de medalha serão
eliminados logo no inicio da competição. Suas provas serão reprisadas em
slow motion e 400 horas de programas de debate esportivo vão analisar os
motivos das suas falhas.
10. Todos os brasileiros entenderão todas as regras de todas as modalidades
que eles nunca nem ouviram falar mas saberão na ponta da língua na hora de
xingar o atleta que foi eliminado.
Após os jogos
1. Um boxeador brasileiro negro de 1,85m estrelará um filme pornô pra pagar
as despesas que teve pra estar nos jogos e não obteve patrocínio.
2. Faustão entrevistará os atletas brasileiros que não ganharam medalhas (ou
seja, todos). Não os deixará pronunciar uma palavra sequer, mas dirá que
esses caras são exemplos no profissional tanto quanto no pessoal, amigos dos
amigos, etc etc.
Tão logo terminamos o retiro espiritual neste final de ano de 1963 fomos liberados às férias familiares.
Confesso que nunca estive tão ansioso por espairecer junto aos meus queridos pais e irmãos.
Têm-me ocorrido pensamentos de voltar definitivamente ao convívio dos entes queridos. Não que haja da parte do ambiente de internato algo que cresça repúdio por ele, pelo contrário, tenho vivido dias de maior integração com meus amigos. Mas, a sensação de estar em lugar errado não desapega de meus pensamentos. Vou completar dezesseis anos dentro de quatro meses. Apesar dos motivos que me trouxeram ao seminário foram outros que não o vocacional, durante estes últimos anos tinha já aceitado ser do ambiente religioso a dedicação de minha vida. Mas, há alguns meses que venho tendo freqüentes inclinações a querer outra coisa que não a vida celibatária e “reclusa”.
Li e reli muitos assuntos da vida militar. Fascinam-me a vida da caserna, a disciplina de soldado, a possibilidade de ter um dia voz de comando e quem sabe galgar a carreira dos grandes heróis da pátria. Sou filho de um ex-combatente da última guerra mundial. Sempre que papai relata os feitos de batalha, como que um frenesi abate sobre mim.
Estou em Juiz de Fora para passar o Natal, fato que desde 1960 não ocorria.
Está sendo maravilhoso poder compartilhar momentos íntimos com meus nove irmãos. Agora somos dez. Mamãe há cinco meses recebeu a visita de mais um irmãozinho. Como praxe em toda família de italianos, fui escolhido, como o mais velho, juntamente com minha irmã Conceição, convidado a ser o padrinho de batismo do bruguelo. O Maurinho dá início a uma lista de afilhados que certamente terei por toda a vida.
Se o ambiente pessoal familiar se modificou durante estes últimos quatro anos por conta do desenvolvimento de meus irmãos, o espaço físico também teve suas variações. Por conta de papai estar agora com trabalho fixo, tem aprimorado a casa adaptando-a tanto ao maior conforto quanto a crescimento da turma.
Por tudo isto, tenho pensado em poder retornar ao ninho que eu abandonara só para ser uma boca a menos.
Os companheiros de rua e bairro assim como eu, cresceram. Como é gostoso encontra-los, não mais nas molequices de outrora, tempo que nos parece longínquo, mas agora às saídas da missa das sete da noite, ou nos papos de esquina da pacata Rua Inácio Gama no Bairro de Lourdes.
As visitas aos parentes é uma praxe que mamãe não perdoa. Em alguns momentos, estes passeios são puramente agradáveis. Visitar minhas primas Terezinha, Maristela, Lena e Marice Cal. Meus primos Waltinho, Zé Carlos, João Batista e Juarez. No entanto, a paparicação de meus tios e avós me incomoda. Sou visto como o “santinho”, o “padre” da família. Sentimentos vão de choque contra a minha breve intenção, ainda secreta, de sair do seminário. Permaneço, portanto, em palpos de aranha. Calo-me ainda. Não sei qual seria a reação de papai e mamãe quando e se eu decidir por isto.
Terminados os vinte dias de tão breve descanso retorno às lides, agora se apresentando rotineiras, do seminário.
Passados alguns dias das ainda vívidas férias, o quadro nacional é perturbado por densas e negras nuvens. A política, diariamente acompanhada pela voz do locutor da Rádio Globo, o Repórter Esso, Heron Domingues, avalio o distúrbio que o Presidente João Goulart vem trazendo à nação desde a renúncia de Jânio Quadros.
O jornal Zero Hora, de Porto Alegre, achincalha o sentimento mais profundo, religioso, do Brasil fazendo publicar em primeira página uma estampa grotesca de Nossa Senhora Aparecida. Estão anunciando, em tintas pesadas o que será do Brasil caso opte pelo socialismo de cores soviéticas.
A condecoração do guerrilheiro Che Guevara por Jânio Quadros quando ainda presidente, a visita do presidente Goulart á China Comunista, envio de caravanas de políticos, professores e estudantes à Cuba e à China, apoio governamental a invasões de terras pelas ligas camponesas lideradas pelo deputado comunista Francisco Julião, apoio de ministros à subversão da ordem, ataques diretos de políticos do Governo aos Estados Unidos, pregação oficial contra a hierarquia militar, e principalmente a presença do Presidente da República discursando frente a uma gigante manifestação de soldados e cabos contra oficiais e ministros, no Rio de Janeiro.
A Igreja, a Imprensa, os Empresários, as Classes Profissionais, as donas de casa e os Militares, protestam perante a conturbada Economia Brasileira enfrentando inflação com índices mensais superiores a 50%, elevado desemprego e baixo crescimento.
Tudo isto acompanhado com voracidade pelos nossos ouvidos , inda que adolescentes, já educados a discernir o joio do trigo.
Março terminou com notícias de movimentos sociais e militares. João Goulart foi deposto. Queira Deus que tudo serene. Que a paz retorne ao nosso sofrido povo. Dizem que está uma situação de guerra. Temo pelos meus familiares. Aquece o desejo de estar com eles.