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SESSENTÕES ENXUTOS!!!

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beber-água

Façam do copo de líquidos seu melhor amigo!

Um alerta importante!!

Para os velhos e para quem está envelhecendo!

Sempre que dou aula de Clínica Médica a estudantes do quarto ano de Medicina, lanço a pergunta:

-Quais as causas que mais fazem o vovô ou a vovó terem confusão mental?

Alguns arriscam: “Tumor na cabeça”.

Eu digo: “Não”. Outros apostam: “Mal de Alzheimer”.

Respondo, novamente: “Não”.

A cada negativa a turma espanta-se.

E fica ainda mais boquiaberta quando enumero os três responsáveis mais comuns:

- diabetes descontrolado;

- infecção urinária;

- quando a família passa um dia inteiro no shopping, enquanto os idosos ficaram em casa.

Parece brincadeira, mas não é. Constantemente vovô e vovó, sem sentir sede, deixam de tomar líquidos.

Quando falta gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez.

A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo. Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dosbatimentoscardíacos (”batedeira” ), angina (dor no peito), coma e até morte.

Insisto: não é brincadeira! !!

Na melhor idade, que começa aos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água no corpo.

Isso faz parte do processo natural de envelhecimento.

Portanto, os idosos têm menor reserva hídrica..

Mas há outro complicador: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água,

pois os seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem.

Conclusão:

Idosos desidratam-se facilmente não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água em seu corpo.

Mesmo que o idoso seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas e funções de todo o seu organismo.

Por isso, aqui vão dois alertas.

O primeiro é para vovós e vovôs: tornem voluntário o hábito de beber líquidos.

Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite. Sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina, também funcionam.

O importante é, a cada duas horas, botar algum líquido para dentro.

Lembrem-se disso!

Meu segundo alerta é para os familiares: ofereçam constantemente líquidos aos idosos.

Ao mesmo tempo, fiquem atentos. Ao perceberem que estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar, atenção.

É quase certo que sejam sintomas decorrentes de desidratação.

“Líquido neles e rápido para um serviço médico”.

Arnaldo Lichtenstein (46), médico, é clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)

No dia: 18/05/10

TRANSPLANTE DE CÓRNEAS

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córneas

O JORNAL DA REDE GLOBO MOSTROU UMA REPORTAGEM SOBRE O HOSPITAL DOS
OLHOS DE SOROCABA. ESSE HOSPITAL É DA MAÇONARIA, SEM FINS LUCRATIVOS.

ELE É CONVENIADO COM O SUS, E TEM CAPACIDADE PARA REALIZAR CERCA DE
300 (TREZENTOS) TRANSPLANTES DE CÓRNEAS POR MÊS, POIS HÁ UM ESTOQUE DE
CÓRNEAS SUFICIENTE PA RA A REALIZAÇÃO DOS MESMOS.

ENTRETANTO, ESSE HOSPITAL ESTÁ REALIZANDO SOMENTE CERCA DE 120
(CENTO E VINTE) TRANSPLANTES POR MÊS, DEVIDO A FALTA DE PACIENTES.

AS CÓRNEAS NÃO UTILIZADAS ESTÃO SENDO JOGADAS FORA POR PASSAREM DO
TEMPO DE UTILIZAÇÃO E VALIDADE !

REPASSANDO DE MÃO EM MÃO ESTA NOTÍCIA, PODERÁ CAIR NA MÃO DE ALGUÉM
QUE CONHEÇA UMA PESSOA QUE ESTÁ A ESPERA DE CÓRNEAS. ELA PODE ENTRAR
EM CONTATO COM O HOSPITAL OFTALMOLOGICO DE SOROCABA -SP E SE CURAR!

TELEFONE – (15) 3212-7009 – DE 2ª A 6ª FEIRA

ATENCIOSAMENTE,

DR. EDUARDO BEZERRA -MÉDICO

No dia: 12/05/10

O PAI É SEMPRE O MORDOMO

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MORDOMO

Pois é, conversando sem demasiada ansiedade com alguns amigos meus, que também exercem o estressante e difícil ofício da paternidade, chegamos à conclusão terrível de que ser pai não difere muito de ser o eterno vilão dos antigos romances policiais: no final da história, o eterno culpado é sempre o mordomo. Pois é justamente aí, nesse singelo fato que reside o grande e irresoluto problema de ser pai. Porque para os filhos, o pai é sempre, significa sempre o único e exclusivo culpado por suas desditas que nem o mordomo dos romances policiais. E é justamente em cima do autor dos seus dias que os filhos de hoje, de ontem e de sempre derramam seus fracassos, seus insucessos, suas frustrações existenciais.

A grande maioria dos filhos de hoje, mormente os filhos da minha geração, que vivem com os pais até se tornarem macróbios, parecem olvidar que são os filhos dos que lutaram contra a “Redentora“, de uma forma ou de outra, e que construíram um nome de certa importância na história desta cidade à custa de muito sacrifício pessoal, seja no campo das artes, seja no campo financeiro ou político. Os nossos desdobramentos celulares têm sempre prontas na ponta da língua a nos cuspir na cara, na primeira discussão, as expressões trauma e pai ausente. Portanto, todos nós, diletos papais dessa mimada garotada, não passamos para eles de uma vasta confraria de “pais ausentes e neurotizantes“.

Não importa, para os nossos queridos filhinhos nada que possamos dizer em nossa legítima defesa. Eles não querem ouvir a nossa história, eles não querem escutar o que passamos para ser o que somos. Eles não querem ouvir. Eles não sabem ouvir, por isso é mais fácil para eles nos culpar pelo que são ou pelo que não puderam ser por suas próprias limitações ou até mesmo vagabundagem explícita. Essa molecada queria o quê de nós? Que passássemos as nossas vidas inteiras desistindo do nosso projeto pessoal para trocar as suas fraldas desde que nasceram até hoje, que permanecem crianças com medo de crescer.

Eu, particularmente falando ou escrevendo, estou mais do que cansado de viver nessa farsa e cansei de ser o cocô do cavalo do bandido nesse negócio sem nenhum futuro de relação pais e filhos. Peguei um siderúrgico abuso e uma ojeriza irremovível dessas expressões batidas como “trauma de infância“ e “pai ausente“. Sim, reconheço, posso até mesmo ser epitetado de “pai ausente e daí“? Hoje, os filhos nos culpam até por desfrutarmos de uma certa fama e notoriedade e o nosso nome, que eles herdaram de graça, significar algo nesta cidade. Há pais que não merecem os filhos que têm. Há filhos mal agradecidos que não merecem os pais que têm. No final das contas, dá empate técnico, estamos todos quites.

17 Mar 2010

Airton Monte

No dia: 17/03/10

CORDEIRINHOS

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LoboCordeiro

MAIAKOVSKY

A impressão que nos dá é a de que estamos apáticos diante de algumas situações da vida. Aceitamos tudo, calamo-nos no confronto com as arbitrariedades sofridas e observadas. É cada um por si…

Somos invadidos, frequentemente, em nossa privacidade: é o telefonema impertinente, com várias ofertas e pedidos de ajuda os mais diversos; é a fatura com débito de serviços que não ordenamos, e de difícil estorno. Isto sem falar nos planos de saúde que nos tratam com desprezo; cartões de crédito e contas bancárias que nos debitam taxas as mais variadas que saqueiam nosso bolso aliados a estratégia bem elaborada para nos cansar e, por fim, nos fazer desistir do ressarcimento, quando reclamado.  Ações estas bem assessoradas que nos põem em risco de virar réu se ousarmos reclamação via judicial.

O relato aqui exposto é a pura realidade e o leitor sabe muito bem! Se não já tiver sido constrangido com alguma dessas ações, certamente conhece alguém que já o foi, porque em qualquer bate papo do dia a dia observa-se queixas freqüentes sobre as agressões que o cidadão vem sofrendo em prejuízo de seus direitos. Isto sem citar outras situações degradantes que se afiguram como quando necessitados em tirar uma simples segunda via da carteira de identidade, ter que enfrentar  uma enorme fila, cuja senha de atendimento só  recebe quem madrugar na porta da instituição expedidora. Pagamos um tributo municipal anual com reajuste de 35% quando a inflação foi negativa… e, inertes, aceitamos.

Nesta reflexão sobre a violência dissimulada que adentra em nossos lares, concluímos com o poema de Maiakovsky,  que de forma analógica remete-se ao tema:

“Na primeira noite, eles se aproximam

e colhem uma flor de nosso jardim.

E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem,

pisam as flores, matam nosso cão.

E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles,

entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,

e, conhecendo nosso medo,

arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,

já não podemos dizer nada.”


*Roberto Sampaio


Diário do Nordeste – Opinião – Idéias- 11.02.2010


http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=734998

No dia: 11/02/10

HUMANITÁRIOS ou ABUTRES?

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medicos-sem-fronteiras

Lembro-me de certa feita, pelos idos 1983, quando um companheiro de trabalho, voltando para casa ao final do expediente sofreu a pior experiência, segundo ele, já  vivida.

O carro tipo bugre em que transitava quebrando a barra da direção, capotou, ficando o motorista preso embaixo do mesmo.

O cinto de segurança ficara preso e ele em posição difícil gritava por ajuda. Acendeu a esperança quando, passos ouvidos, percebeu a aproximação da “ajuda”.

Ato seguinte, conforme relata, foi a causa de tantos pesadelos futuros dado o trauma que ficou. O dono dos passos que ouvira, baixando-se ao nível do chão em que se encontrava fez um único gesto: arrancou o relógio que estava em seu braço preso entre as ferragens e em seguida evadiu-se.

O caso acima não seria descrito neste artigo se não fosse a similitude do que estamos lendo e ouvindo nos noticiários sobre o Haiti.

Não estou me referindo aos saques e roubos de pessoas famintas.

abutreUm troca-troca de acusações, destinação de verbas humanitárias e disputa por maiores quantidades de soldados e ONG’s. Contestação por mando territorial por nações quais as do aeroporto da capital e outros terrenos importantes.

Vêm-me a lembrança do antigo companheiro acidentado. Estamos lá para realmente ajudar um povo capenga de tudo ou estamos visualizando somente um grupo potencial de futuros consumidores de nossos produtos?

Que a mão direita não saiba o que a esquerda faz.  (Jesus)

Somos os Humanitários ou os abutres?


Que os nossos mártires não o sejam em vão!zilda_arns_1

Paulo

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No dia: 21/01/10

MAL ACOSTUMADOS

1 Comentário Postado por: Paulo

apartamento-dos-fundos

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colassanti

Reflita, amigo, e mude…

No dia: 15/01/10

O LULA EM (QUASE) TODOS NÓS

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lula-de-férias3

Quantos de nós vimos a foto do Lula em férias carregando um isopor à cabeça em praia privativa?
Mas quantos de nós analisamos o fato em profundidade?
Houve até perseguição e prisão dos jornalistas que se aproximaram de área militar restrita.
Um prato cheio. Se não foi tudo articulado, então foi a maior mancada dada pelo coordenador de imagem do Presidente,  pois perdeu boa oportunidade de crescer aos olhos do chefinho.
Analisem a foto acima. Com quem o presidente se parece?
A resposta errada seria “a de todos brasileiros”. Mesmo porque quem está no alto da pirâmide social ou um pouquinho abaixo, não se daria ao desplante de carregar um isopor em verdadera imagem de farofeiro.
Estes, os privilegiados, tem suas mordomias, “leurs valettes en chambre”, ordenanças etc.
Por que então um presidente teria que carregar seu próprio isopor?
Olha…  se não foi inspiração de um ser pensante lá do planalto!

Grande imagem. Não igaul a “todos” os brasileiros mas, idêntica à maioria dos brasileiros.
Certamente, quando Lula diz que elegerá seu ou sua sucessores, não está b rincando. Não o fará por golpes a la “morales’ ou “hugo chaves” (letras minúsculas propositais). Far-o-á porque muitos, mas muitos mesmo, ligam-se a imagem que ele vende. Descuplas, mil desculpas, imagem que ele com naturalidade distribui graciosamente.
Muitos de nós somos os praieiros de final de semana. Não trajamos os ternos dos FHC’s nem Sarney’s, tampouco Serra’s. Somos os pés descalços da areia grossa de nossas dificuldades.
Tiro o chapéu para Lula, se foi um gesto natural.
Tiro a chapelaia inteira, se foi um criador de imagens palaciano.

Paulo

No dia: 10/01/10

SENTENÇA JUSTA

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justica

PARA “DEGUSTAÇÃO” DOS NOSSOS AMIGOS
E PRINCIPALMENTE EXEGETAS…

Lembram-se daquele Juiz de Niterói que entrou na Justiça contra o condomínio em que mora, por causa do tratamento de ‘você’ dado pelo porteiro?
Pois é, saiu à sentença.
Observe a bela redação, sucinta, bem argumentada, até se solidariza com o juiz que se queixa, mas…
Bom, leia a sentença abaixo.
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO COMARCA DE
NITERÓI – NANI VARA CÍVEL  - Processo n°002.00344-4

S E N T E N Ç A

Cuidam-se os autos de ação de obrigação de fazer manejada por “Fulano de Tal” (o site deixa de citar nomes por motivos óbvios) contra o  CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO Tal e Tal e a funcionária tal e tal, alegando o autor fatos precedentes ocorridos no interior do prédio que o levaram a pedir que fosse tratado formalmente de ’senhor’. Disse o requer ente que sofreu danos, e que esperava a procedência do pedido inicial para  dar a ele autor e suas visitas o tratamento de ‘Doutor’, senhor’ ‘Doutora’, ’senhora’, sob pena de multa diária a ser fixada judicialmente, bem como requereu a condenação dos réus em dano moral não inferior a 100 salários   mínimos. (…)

DECIDO.

‘O problema do fundamento de um direito apresenta-se diferentemente conforme se trate de buscar o fundamento de um direito que se tem ou de um direito que se gostaria de ter.’ (Noberto Bobbio, in ‘A Era dos Direitos’, Editora Campus, pg. 15).

Trata-se o autor de Juiz digno, merecendo todo o respeito deste sentenciante e de todas as demais pessoas da sociedade, não se justificando tamanha publicidade que tomou este processo. Agiu o requerente como jurisdicionado, na crença de seu direito. Plausível sua conduta, na medida em que atribuiu ao Estado a solução do conflito.

Não deseja o ilustre Juiz tola bajulice, nem esta ação pode ter conotação de incompreensível futilidade. O cerne do inconformismo é de cunho eminentemente subjetivo, e ninguém, a não ser o próprio autor, sente tal dor, e este sentenciante bem compreende o que tanto incomoda o probo Requerente. Está claro que não quer, nem nunca quis o autor, impor medo de autoridade, ou que lhe dediquem cumprimento laudatório, posto que é homem de notada grandeza e virtude. Entretanto, entendo que não lhe assiste razão jurídica na pretensão deduzida. ‘Doutor’ não é forma de tratamento, e sim título acadêmico utilizado apenas quando se apresenta tese a uma banca e esta a julga merecedora de um doutoramento. Emprega-se apenas às pessoas que tenham tal grau, e mesmo assim no meio universitário. Constitui-se mera tradição referir-se a outras pessoas de ‘doutor’, sem o ser, e fora do meio acadêmico.

Daí a expressão doutor honoris causa – para a honra -, que se trata de título conferido por uma universidade à guisa de homenagem a determinada pessoa, sem submetê-la a exame.
Por outro lado, vale lembrar que ‘professor’ e ‘mestre’ são títulos exclusivos dos que se dedicam ao magistério, após concluído o curso de mestrado. Embora a expressão ’senhor’ confira a desejada formalidade às comunicações - não é pronome -, e possa até o autor aspirar distanciamento em relação a qualquer pessoa, afastando intimidades, não existe regra legal que imponha  obrigação ao empregado do condomínio a ele assim se referir.

O empregado que se refere ao autor por ‘você’, pode estar sendo cortês, posto que ‘você’ não é pronome depreciativo.
Isso é formalidade, decorrente do estilo de fala, sem quebra de hierarquia ou incidência de insubordinação.
Fala-se segundo sua classe social.

O brasileiro tem tendência na variedade coloquial relaxada, em especial a classe ’semi-culta’, que sequer se importa com isso.

Na verdade ‘você’ é variante – contração da alocução –  do tratamento respeitoso ‘Vossa Mercê’. A professora de linguística Eliana Pitombo Teixeira ensina que os textos  literários que apresentam altas frequências do pronome ’você’, devem ser classificados como formais.

Em qualquer lugar desse país, é usual as pessoas serem chamadas de ’seu’ ou ‘dona’, e isso é tratamento formal.

Em recente pesquisa universitária, constatou-se que o simples uso do nome da pessoa substitui o senhor/ a senhora e você quando usados como prenome, isso porque soa  como pejorativo tratamento diferente. Na edição promovida por Jorge Amado ‘Crônica de Viver Baiano Seiscentista’, nos poemas de Gregório de Matos, destacou o escritor que Miércio Táti anotara que ‘você’ é tratamento cerimonioso. (Rio de Janeiro/ São Paulo, Record, 1999).

Urge ressaltar que tratamento cerimonioso é reservado a círculos fechados da diplomacia, clero, governo, judiciário e meio acadêmico, como já se disse. A própria Presidência da República fez publicar Manual de Redação instituindo o protocolo interno entre os demais Poderes. Mas na relação social não há ritual litúrgico a ser obedecido. Por isso que se diz que a alternância de ‘você’ e ’senhor’ traduz-se numa questão sociolinguística, de difícil equação num país como o Brasil de várias influências regionais.

Ao Judiciário não compete decidir sobre a relação de educação, etiqueta, cortesia ou coisas do gênero, a ser estabelecida entre o empregado do condomínio e o condômino, posto que isso é tema interna corpore daquela própria comunidade.

Isto posto, por estar convicto de que inexiste direito a ser agasalhado, mesmo que lamentando o incômodo pessoal experimentado pelo ilustre autor, julgo improcedente o
pedido inicial, condenando o postulante no pagamento de custas e honorários de 10% sobre o valor da causa.

P.R.I. Niterói, 2 de maio de 2005.

Fulano de Tal
Juiz de Direito

( Não é que, neste país ainda existem juristas honrados e
cultos! Nem tudo esta perdido… Aleluia!!!)

***

No dia: 18/12/09

OLIMPÍADAS

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olimpiadas1

Brasil, Japão, EEUU e Espanha buscaram apresentar o que de melhor poderiam oferecer ao Comitê Olímpico Internacional como garantia de futura sede dos jogos de 2016.

Não resta dúvida alguma que um país que sedia tal evento tem como lucrar em diversas frentes, senão vejamos:

As obras, tanto das sedes propriamente ditas quanto da estrutura necessária, isto é, vias de acesso, alojamentos e similares (restaurantes, lojas etc) serão desde o início uma fonte de empregos em todos os quadrantes sociais. Do servente de pedreiro até o engenheiro, do auxiliar de cozinha às empresas de alimentos, do motorista de taxi às linhas aéreas, do guardador de carros ao soldado da segurança pública, a capilaridade na distribuição de responsabilidades na participação do evento e da renda, em todos os aspectos muitas vantagens se sentirão.

No pós jogos é que reside o ganho maior. Sedes esportivas e escolas combinando o intelectual à terapia ocupacional dos esportes.

A constituição de 1988 procurou satisfazer o cidadão e em especial ao residente urbano. O inchaço das cidades fez deteriorar essa relação do ser humano com o meio em que vive, em especial nosso Rio de Janeiro. Nesta oportunidade que agora surge estará certamente toda a sociedade carioca empenhada na recuperação do tempo perdido.

Que se crie um órgão gestor dos recursos que ali serão aplicados. Que o custo beneficio seja realmente alcançado. Que todos os esforços, financeiros e de gestão, tenham seus frutos colhidos lá na ponta final.

Não seria só o Rio de Janeiro a única cidade a tirar daí os ganhos do evento esportivo. O Brasil inteiro teria também participação. Atletas e visitantes do mundo inteiro aportariam na antiga capital brasileira. No entanto, e com plena certeza os pacotes turísticos de todo os países sentir-se-iam obrigados a atender seus clientes com pacotes que incluiriam desde o pantanal Matogrossense quanto o cantado Nordeste e não deixando ao largo, em épocas ecológicas, a nossa região amazônica.

Portanto todos temos a lucrar, dos tupiniquins aos turistas e esportistas estrangeiros.

No que tange a participação de nossos atletas cremos ser o melhoror de todos os lucros. É sabido que para um país sediar qualquer evento a aplicação dos recursos no humano, isto é, neste caso em seus atletas, é o maior objetivo: Ficara criada para a posteridade a tradição participativa nos esportes amadores e olímpicos. Não ficaremos atrelados somente às peladas dos terrenos baldios. Extrapolará os limites da cidade maravilhosa e de seus monumentais estádios para alcançar os arrabaldes distantes. Filhos e netos desta geração constatarão, com certeza, os reflexos do sadio ambiente esportivo em suas vidas. Ocupar-se-ão na prática esportiva a terapia ocupacional que tanto falta aos jovens. Sentir-se-ão longe do desejo aos tóxicos e vícios outros.

Parabéns Brasil. Felicitações a tantos quantos fizeram por vencer esta etapa inicial rumo às Olimpíadas de 2016.

No dia: 03/10/09

A JABUTICABA, QUEM DIRIA…

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Jaboticaba

A jabuticaba, nossa pequena notável!!! Fruta 100% brasileira.

É dela que vamos falar.

Discreta no quintal de nossa casa, ela contém teores espantosos de substâncias protetoras do peito. Ganha até da uva, e provavelmente do vinho que é festejado no mundo inteiro por evitar infartos.

Você vai conhecer agora uma revelação científica, e das boas, que acaba de cair do pé.

Por: Regina Pereira

A química Daniela Brotto Terci nem estava preocupada com as coisas que se passam com o coração. Tudo o que ela queria, em um laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista, era encontrar na natureza pigmentos capazes de substituir os corantes artificiais usados na indústria alimentícia.

E, claro, quando se fala em cores a jabuticaba chama a atenção.

Roxa? Azulada? Cá entre nós, jabuticaba tem cor de… jabuticaba.

Mas o que tingiria a sua casca? A cientista quase deu um pulo para trás ao conferir: ”enormes porções de antocianinas”, foi a resposta.

Desculpe o palavrão, mas é como são chamadas aquelas substâncias que, sim, são pigmentos presentes nas uvas escuras e, conseqüentemente, no vinho tinto, apontados como grandes benfeitores das artérias.

Daniela jamais tinha suspeitado de que havia tanta antocianina ali, na jabuticaba, aliás, nem ela nem ninguém.

“Os trabalhos a respeito dessa fruta são muito escassos”, tenta justificar a pesquisadora, que também mediu a dosagem de antocianinas da amora.

Ironia, o fruto da videira saiu perdendo no ranking, enquanto o da jabuticabeira…

Dê só uma olhada (o número representa a quantidade de miligramas das benditas antocianinas por grama da fruta):

jabuticaba: 314

amora: 290

uva: 227

As antocianinas dão o tom. ‘Se um fruto tem cor arroxeada é porque elas estão ali’, entrega a nutricionista Karla Silva, da Universidade Estadual do Norte Fluminense, no Rio de Janeiro.

No reino vegetal, esse tingimento serve para atrair os pássaros

E isso é importante para espalhar as sementes e garantir a perpetuação da espécie’, explica Daniela Terci, da Unicamp.

Para a Medicina, o interesse nas antocianinas é outro. “Elas têm uma potente ação antioxidante”, completa a pesquisadora de Campinas. Ou seja, uma vez em circulação, ajudam a varrer as moléculas instáveis de radicais livres. Esse efeito, observado em tubos de ensaio, dá uma pista para a gente compreender por que a incidência de tumores e problemas cardíacos é menor entre consumidores de alimentos ricos no pigmento.

Ultimamente surgem estudos apontando uma nova ligação: as tais substâncias antioxidantes também auxiliariam a estabilizar o açúcar no sangue dos diabéticos.

Se a maior concentração de antocianinas está na casca, não dá para você simplesmente cuspi-la. Tudo bem, engolir a capa preta também é difícil. A saída, sugerida pelos especialistas, é batê-la no preparo de sucos ou usá-la em geléias. A boa notícia é que altas temperaturas não degradam suas substâncias benéficas.

Os sucos, particularmente, rendem experiências bem coloridas. A nutricionista Solange Brazaca, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, interior paulista, dá lições que parecem saídas da alquimia. “Misturar a jabuticaba com o abacaxi resulta numa bebida azulada”, ensina. “Já algumas gotas de limão deixam o suco avermelhado”. As variações ocorrem devido a diferenças de pH e pela união de pigmentos ácidos.

Mas vale lembrar a velha máxima saudável: bateu, tomou. “Luz e oxigênio reagem com as moléculas protetoras”, diz a professora. Não é só a saúde que sai perdendo: o líquido fica com cor e sabor alterados.

Aliás, no caso da jabuticaba, há outro complicador. Delicada, a fruta se modifica assim que é arrancada da árvore. “Como tem muito açúcar, a fermentação acontece no mesmo dia da colheita”, conta a engenheira agrônoma Sarita Leonel, da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu. A dica é guardá-la em saco plástico e na geladeira. Agora, para quem tem uma jabuticabeira, que privilégio!

A professora repete o que já diziam os nossos avós: “Jabuticaba se chupa no pé”.

O branco tem seu valor.

A bioquímica Edna Amante, do laboratório de frutas e hortaliças da Universidade Federal de Santa Catarina, destaca alguns nutrientes da parte branca e mais consumida da jabuticaba. “É na polpa que a gente encontra ferro, fósforo, vitamina C e boas doses de niacina, uma vitamina do complexo B que facilita a digestão e ainda nos ajuda a eliminar toxinas”.

Ufa! E não só nessa polpa, mas também na casca escura, você tem excelentes teores de pectina. “Essa fibra tem sido muito indicada para derrubar os níveis de colesterol, entre outras coisas”, conta a nutricionista Karla Silva. A pectina, portanto, faz uma excelente dobradinha com as antocianinas no fruto da jabuticabeira. Daí o discurso inflamado dessa especialista, fã de carteirinha: “A jabuticaba deveria ser mais valorizada, consumida e explorada”.

Nós concordamos, e você?

A jabuticabeira

Nativa do Brasil, ela costuma medir entre 6 e 9 metros e é conhecida desde o período do descobrimento. “A espécie é encontrada de norte a sul, desde o Pará até o Rio Grande do Sul”, diz o engenheiro agrônomo João Alexio Scarpare Filho, da ESALQ. Segundo ele, a palavra jabuticaba é tupi e quer dizer “fruto em botão”.

A invenção é esta: vinho de jabuticaba. O nome não deixa de ser uma espécie de licença poética, já que só pode ser denominado vinho pra valer o que deriva das uvas. Mas, sim, existe um fermentado feito de jabuticaba que, aliás, já está sendo exportado.

“O concentrado da fruta passa um ano inteiro em barris de carvalho”, conta o farmacêutico-bioquímico Marcos Antônio Cândido, da Vinícola Jabuticabal, em Hidrolândia, Goiás.

A jabuticaba é a matéria-prima de delícias já conhecidas, como a geléia e o licor, e também de uma espécie de vinho. Quem provou a bebida garante: é uma delícia.

Em 100 gramas ou 1 copo:

Calorias 51

Vitamina C 12 mg

Niacina 2,50 mg

Ferro 1,90 mg

Fósforo 14 g

Tire proveito da jabuticaba

Atributos, para essa fruta tipicamente brasileira, são o que não faltam. Vitaminas, fibras e sais minerais aparecem nela ao montes.

Agora, para melhorar ainda mais esse perfil nutritivo, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas descobriram que ela está cheia de antocianinas, substâncias que protegem o coração.

Mais uma razão para que a jabuticaba esteja sempre em seu cardápio.

No dia: 24/09/09

DIÁRIO DE MAMÃE

Seja o primeiro a comentar Postado por: Paulo

quintal

Em recente visita à minha querida mamãe por ocasião do seu 80º aniversário o presenteado fui eu: Tive acesso pela primeira vez ao seu diário. É preciso dizer que mamãe estudou até o 4º ano primário. Filha de imigrantes italianos, sofreu as dificuldades de uma infância difícil, campesina.

É uma mulher de muitas leituras. O que mais me recordo é  de mamãe recostada em sua cama, sempre com livro de leitura à mão.

Agora, deixou-me ela que lesse algo escrito pela simplicidade de sua visão, rica porém dos sentimentos que norteiam uma esposa dedicada e não menos atenta mãe de uma prole fértil de onze filhos.

É com este perfil que apresento aos registros “perenes” da internet, como uma ode à matriarca familiar, duas páginas que extrai de seus escritos pessoais.

“A minha família”

Por Judith Brugiolo Chinelate


A minha família é maravilhosa.

Tenho onze filhos sendo que uma já faleceu, mas continua viva no meu pensamento.

O Paulo é o mais velho, ele disse que é o mais bonito, parece mesmo.

A Conceição é falecida, mas está no céu.

O Vicente tem o apelido de Barão; ele é moreno como o pai.

O Francisco tem o apelido de Chico; ele é muito querido por todos.

A Rita é a minha companheira em tudo, cuida muito de mim com muito carinho.

O José Geraldo tem o apelido de Pim; ele é privilegiado, pois tem o nome do pai Geraldo.

O Aloísio tem por carinho o apelido de Fiim.

A Bernadete é muito carinhosa também, vem sempre que pode aqui me ver.

O Hilário também é um filho muito bom, vem pouco aqui porque vive viajando a trabalho.

O Mauro é o caçula dos homens, todas as vezes que ele em almoçar aqui ele pergunta se pode vir. Eu acho muito engraçado, pois a casa está sempre aberta para todos.

A Sandra mora na Itália. Sempre telefona, mas só vem aqui uma vez por ano. Ela é a caçulinha querida, porém todos moram dentro do meu coração.

“O quintal de minha casa”

Por Judith Brugiolo Chinelate


Estou sentada no banco que a Rita projetou. Foi feito pela Rita, Aloísio e o Francisco Chico.

Estou olhando as plantas que estão maravilhosas.

O canteiro de couve está lindo. Os dois pés que o Vicente plantou, quando esteve aqui na última vez, dá até pena de colher de tão lindos.

Os pés de jiló que o Chico plantou estão cheios de frutos.

As laranjeiras estão dando: A “serra-d’água” está com uma laranjinha e a “Bahia” está com onze frutos. A mexeriqueira “polkan” em um pé tem trinta e uma e noutro quinze mexericas.

O pé de guaraná está com 2 frutos, é a primeira vez que produz.

A palmeira do “Paulo” trazida de uma visita ao seminário onde ele estudava está com 45 anos de idade e continua linda.

As roseiras estão vermelhas de tantas flores.

A jaboticabeira está com muitas jaboticabas maduras, outras verdes e ainda muitas flores.

A canarinha belga está cantando. A Rita tirou-a do ninho onde estava chocando. Colocou-a na gaiola porquanto a passarinha não aceita o companheiro de viveiro e os ovos ficam gorados.

A Rita bobeou e eu fiquei sem o açúcar especial para fazer o meladinho dos beija-flores. Coloquei água com adoçante bem docinho, mas eles nem provaram.

Mais uma: plantei quiabo em potes de plástico e a Rita hoje colheu cinco.

O pé de tomate italiano está muito grande e bonito mas ainda não esta produzindo. Quem plantou foi o Chico.

Todas as tarde eu e Rita viemos aqui na horta, sentamos no banco para apreciar as plantas e fazer palavras cruzadas. É muito gostoso.

Meu apelido é “Veia”.

No dia: 07/09/09

UMA CONVERSA RETRÔ

4 Comentários Postado por: Paulo

telegrafo-morse        Aproveitando as férias escolares de meio de ano levei os meus netos à revisão dentária. Eu e o odontólogo, amigo e colega de antiga profissão, ou diria melhor, de profissão antiga, conversamos e  perambulamos por velhas lembranças, ou diria melhor, lembranças velhas.

 

         O assunto versou sobre como está veloz o caminhar da tecnologia. Há pouco tempo, em 1996, portanto somente 13 anos, ao abrir uma conta bancária nova informei o número de meu celular, não tendo ainda oportunidade de possuir um telefone fixo, àquela época uma façanha ainda atrelada à disponibilidade de linhas na nova moradia. A exclamação da atendente com “hum, que chique”,  traduz a grande diferença destes poucos anos passados. Meus filhos e netos desfilam hoje com os seus 3G com tanta naturalidade.

 

      computadorO Dr. Bento ao fazer uma indagação, durante nossa conversa, seguida atentamente pelos  netinhos presentes, fomos chegando ao que há de mais retrô, que dá nome a este artigo. Perguntava o caro amigo dentista, aliás  odontólogo, o que seria para estes garotos daqui a quarenta anos a tecnologia em geral?

 

       Respondi-lhe que talvez na mesma proporção em que meu velho pai presenciara a inauguração de uma transmissão de rádio em Juiz de Fora em 1932. Contava ele que na ocasião muitos da platéia reunida na praça central da cidade diriga-se para atrás do grande aparelho de rádio para ver se tinha alguém escondido. Meu próprio pai usufruiu de nossas comunicações pelo SKAPE, na internete, ao vivo e a cores.

 

       Concluimos que nós dois mesmos, oriundos que fomos dos quadros de Rádio-Telegrafistas do Exército, presenciamos a decadência vertiginosa de nossa “antiga profissão antiga”. Tão perto e quão distantes os momentos em que muitos dependiam de nossos serviços telegráficos.

 

     Voltei para casa com uma sensação de deveres cumpridos: Por ter apoiado os netinhos na revisão dentária semestral e de ter tomado parte dos avanços que a intelectualidade humana pode nos oferecer.

 

Por:  Paulo Cinelate

No dia: 09/07/09

SECOS E MOLHADOS

Seja o primeiro a comentar Postado por: Paulo

       Por Simone Pessoa14chuva
       O Povo –  07 Jun 2009

 

       O garoto desolado se agarra ao cachorro molhado. O homem grisalho se encolhe em si mesmo para secar a água da roupa do corpo. A mulher jovem, ao contrário, umedece o vestido roto com lágrimas intermitentes. A mãe exaurida com o filho no braço reflete nas águas o vazio, a desesperança.

 

        Uma menina esboça um meio sorriso, pois conseguira recuperar as chinelas. Uma cabra ilhada observa aflita o cenário inundado. O holograma das enchentes se espraia. Calamidade. Dilúvio sem arca de Noé.

 

       Sem casa, sem rede, sem comida, sem água de beber, sem roupa, sem calçado, sem coberta, sem higiene, sem nada, os sobreviventes naufragam nas águas impiedosas.

 

       Enquanto isso, em seu lar enxuto, um homem, como tantos outros, dorme em sua cama macia, aconchegado com cobertas limpas e livres de umidade. Com a chegada do dia, acorda, faz sua toilette com ducha térmica, toma seu farto café da manhã, lê o jornal e acompanha pela tevê as imagens do infortúnio alheio. Abre seu armário abarrotado de roupas – algumas há muito não usadas. Fica em dúvida do que vestir diante de tantas opções. Escolhe sapatos para combinar com o estilo da vestimenta eleita. Antes de sair de casa, bebe um copo de água mineral.

 

        No elevador, se depara com um cartaz azul solicitando ajuda aos desabrigados. No rádio do carro, entre uma música e outra, ouve chamadas do O POVO, da Cruz Vermelha, do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil convocando a população para se engajar na campanha. Em seguida, um anúncio inesperado: a cada item doado, a Coelce concede outro tanto para as vítimas das enchentes. Quase irresistível! Ao chegar no trabalho, contorna uma caixa de papelão próximo à porta destinada a receber donativos.

 

        Nada disso, porém, é suficiente para sensibilizar aquele homem ao ponto de fazê-lo tomar uma atitude. Há roupas, toalhas, redes e lençóis sobrando em casa, mas sente preguiça de selecioná-los. A despensa está repleta de mantimentos, mas não se dá ao trabalho de aliviá-la. Dinheiro não é problema: dá para sustentar seu padrão de vida e ainda sobra um bocado. Mas, ao ser abordado em nome dos desgraçados pelas enchentes, o nosso homem escamoteia. Finge para si, e para aqueles que lideram a arrecadação das contribuições, que trará depois sua doação. Um depois que não chega e que, provavelmente, nunca ocorrerá.

No dia: 16/06/09

OPERAÇÃO TRILHA

Seja o primeiro a comentar Postado por: Paulo
Preso pela PF: ” Para que trabalhar se consigo dinheiro fácil?”
 

 

      Fingimos ficar surpresos com a frase acima dita por rapazes pegos pela Polícia Federal em operação contra  hackers  e bandidos da internet.

 

      Ficamos num misto de indignados e intranquilos, perguntando-nos até onde poderá chegar a falta de perspectiva de nossos jovens.

 

      Está claro que o limite não será até onde as nossas polícias, cada vez mais especializadas, puderem cercar o boi.

 

      Vimos nos últimos tempos aqueles que deveriam dar o exemplo, nossos governantes, mostrarem o caminho do desvio para a geração que agora desponta.

 

     Estamos carecas de saber que se educarmos nossas crianças hoje evitaríamos prendê-las e puni-las depois.

 

     Um filho, hoje atuando na área da publicidade, nas últimas eleições foi abordado por um candidato à reeleição em prefeitura do interior do Estado do Ceará convidando-o a dividir uma bolada em pseudo propaganda institucional. A resposta imediata foi:  ”Não”.

 

      O que fez meu filho dar tal resposta? Não creio que ele sofra de síndrome do pânico monetário nem está nadando em mar tranqüilo financeiramente e tampouco o fez por pura pieguice. Foi trabalho árduo de base familiar, educação moral embora doída. Não é fácil ter que adquirir anualmente programas de Internet ao preço da cara, ao invés de piratear. Não é fácil encontrar um objeto achado na rua e ensinar  tendo o trabalho de buscar na redondeza um possível proprietário distraído.

 

      Nossa população mais necessitada com escolas depauperadas com profissionais mal preparados e desgastados enquanto as autoridades desviam até mesmo a verba da merenda escolar, mostrando os desvios que praticam às turras, contabilizados aos bilhões. E o pior: impuníveis.

 

     E achamos que estamos bem, em nossa zona de conforto, quando a prestimosa Polícia Federal se esforça por manter na linha a estes mesmos moços que não foram brindados com uma educação condizente lá atrás.

 

     E amanhã leremos, com certeza, mais uma linda manchete como a do título acima.

No dia: 28/05/09