2010 01 fev

ACIDENTE OU NEGLIGÊNCIA?

Retorna ao nosso convívio literário nosso irmão e amigo Pedro Roberto Sampaio que nos dá a honrosa contribuição com seus artigos  comumente publicados no Jornal Diário do Nordeste de Fortaleza – CE.  Boas “re-vindas”!

sala-de-cirurgia

*Roberto Sampaio

Opinião – Idéias – Diário do Nordeste – 01.02.2010

Dor terrível acometeu-me de surpresa. Corri ao médico que solicitou exames imediatos. Após submeter-me a uma tomografia, que identificou um cálculo situado na porção distal do ureter, fui encaminhado à urgência do internamento para uma cirurgia de remoção. Meu plano de saúde não contemplou o uso do laser, recomendado pelo cirurgião para que o procedimento fosse menos traumático. Tamanha era a dor, e para não piorar meu estado debilitado, aceitei de pronto o desembolso do representativo valor, extrapolando, assim, meu sacrificado orçamento.

No mesmo dia, início da noite, internei-me e parti para a sala de cirurgia. Fui recebido pelo anestesista que me fez as perguntas rotineiras do pré-operatório e já na maca, dentro da sala de cirurgia, ao tempo em que conversava frivolidades com um colega e aguardava o cirurgião que estava a caminho, preparava-me para a sedação e o bloqueio.

Adormeci.

Três horas mais tarde retornei a consciência na sala de recuperação, incentivado por três rostos desconhecidos que me animavam e logo sumiram. Por sorte cobriram-me com um cobertor, protegendo-me do frio daquela sala deveras gelada.

Na seqüência, conduziram-me ao apartamento hospitalar onde deveria pernoitar. Adormeci novamente, agora assistido por minha esposa.

No outro dia surpreendi-me ao ver dois hematomas nas extremidades do lábio inferior, com pequenos ferimentos do lado interno, depois transformados em severas aftas que me incomodaram por cinco intermináveis dias. Indaguei do médico qual a causa, o mesmo me respondeu ter sido, provavelmente, a colocação de uma chupeta (cânula de Guedel), acessório de prevenção em caso emergencial de anestesia geral.

Se o leitor já não passou por essa experiência, certamente já teve notícias de amigo ou parente que a tenha vivenciado. Meu intuito, com esta matéria, é alertar. Esse tipo de vacilo não deveria ocorrer em qualquer hospital, quanto mais nos que oferecem mais conforto. É mister haver treinamento contínuo com os profissionais da saúde, e, principalmente, lições de humanidade.

* Administrador de empresas

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=729495

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