MAIAKOVSKY
A impressão que nos dá é a de que estamos apáticos diante de algumas situações da vida. Aceitamos tudo, calamo-nos no confronto com as arbitrariedades sofridas e observadas. É cada um por si…
Somos invadidos, frequentemente, em nossa privacidade: é o telefonema impertinente, com várias ofertas e pedidos de ajuda os mais diversos; é a fatura com débito de serviços que não ordenamos, e de difícil estorno. Isto sem falar nos planos de saúde que nos tratam com desprezo; cartões de crédito e contas bancárias que nos debitam taxas as mais variadas que saqueiam nosso bolso aliados a estratégia bem elaborada para nos cansar e, por fim, nos fazer desistir do ressarcimento, quando reclamado. Ações estas bem assessoradas que nos põem em risco de virar réu se ousarmos reclamação via judicial.
O relato aqui exposto é a pura realidade e o leitor sabe muito bem! Se não já tiver sido constrangido com alguma dessas ações, certamente conhece alguém que já o foi, porque em qualquer bate papo do dia a dia observa-se queixas freqüentes sobre as agressões que o cidadão vem sofrendo em prejuízo de seus direitos. Isto sem citar outras situações degradantes que se afiguram como quando necessitados em tirar uma simples segunda via da carteira de identidade, ter que enfrentar uma enorme fila, cuja senha de atendimento só recebe quem madrugar na porta da instituição expedidora. Pagamos um tributo municipal anual com reajuste de 35% quando a inflação foi negativa… e, inertes, aceitamos.
Nesta reflexão sobre a violência dissimulada que adentra em nossos lares, concluímos com o poema de Maiakovsky, que de forma analógica remete-se ao tema:
“Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles,
entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.”
*Roberto Sampaio
Diário do Nordeste – Opinião – Idéias- 11.02.2010


1 Usuário Respondeu ao " CORDEIRINHOS "
Sabe que essa poesia, foi o grande marco na minha vida, porque eu sempre calava quando devia falar, e com isso ficava como a pessoa boazinha, aquela que é do sim e com isso todos invadiam a minha vida e faziam maior bagunça, quando li {arranca-nos a voz da garganta….} comecei a espernear e desde então luto com determinação e passei a fazer parte da turma que sabe o que quer e deixa bem claro isso.
Adorei
Mara
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