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TEOLOGIA: UMA MATÉRIA CONFORME CONVENIÊNCIAS (Parte 1)

1 comment Posted by Paulo

É muito comum ouvirmos e lermos currículos de algumas pessoas que colocam entre os seus “qualificativos” que têm curso de Teologia, formação em Teologia e até DOUTORADO em Teologia. Grandes coisas. Para quem não se dispôs a analisar esta questão com mais profundidade, vem a impressão de que esse suposto “doutorado” tem o mesmo valor e peso que um doutorado em Física, Química, Medicina, Eletrônica, Astronomia e várias outras matérias que, de fato, são matérias lógicas, de conceitos admitidos e inquestionáveis no grande universo. O pior é que no Brasil andam falando em facilidades, para que os tais formados em Teologia possam ter acesso a situações onde devem ficar aqueles que têm formação em matérias úteis.

Mas Alamar, então você quer dizer que uma matéria que se propõe ao estudo de Deus, não é uma matéria útil? Isto que você está dizendo é uma blasfêmia, um desrespeito a Deus. É o que, talvez, possa questionar alguém de visão estreita. Por isto, façamos uma análise sobre a questão, para o raciocínio de cada um.

O que é Deus?

Para a maioria, a pergunta não pode ser feita desta forma e sim “Quem é Deus?” Já começa a divergência por aí. Ao nos dirigirmos a Deus, com a pergunta Quem é Deus?”, já começamos a estabelecer que ele é uma pessoa, um homem, o que estabelece, ao mesmo tempo, a sua antropomorfização. Pronto: defini então que Deus é um homem, como nós, com as nossas características, com o nosso formato e até com os nossos vícios e paixões. Os incontáveis formatos que, certamente, devem existir nos decilhões de outras estrelas e planetas, dispostos nas bilhões ou não se sabe quantos “lhões” de Galáxias não significam nada, tem que ser conforme a gente, aqui da Terra. Conclui-se que a definição de Deus é formada conforme a visão e conveniência de cada um, principalmente das religiões, que são as congregações humanas que se acham proprietárias dele.

Definir Deus é uma das formas mais claras do homem manifestar a sua presunção. Daí conclui-se, por conseqüência, que os conceitos ensinados no curso de Teologia oferecido é estabelecido conforme a visão do segmento que o fez, conforme a cabeça das lideranças que o ministra. Portanto, não é uma matéria como a Física, por exemplo, que não tem como alguém, aqui no Brasil, fazer de uma forma e alguém, em algum país asiático, fazer de outra.

Por exemplo: A terceira Lei de Isaac Newton, que eu aprendi, é exatamente a mesma que é ensinada na França, na Turquia, no Japão, na Argentina e em qualquer lugar do mundo. Os conceitos de Kepler, Lavoisier, Pascal, Boyle e Mariotte, Ohm e outros são os mesmos. Se eu for chamado a dar uma aula de Física, em Sidney, na Austrália, não terá como ninguém levantar o dedo e contestar, dizendo que lá é diferente. Espaço será igual a velocidade vezes tempo, em qualquer lugar do mundo. Eu não posso inventar uma cinemática, uma estática e uma dinâmica, por exemplo, conforme o que eu achar melhor e mais conveniente. Seria chamado de maluco. Mas Teologia não é assim.

Vamos analisar como seria um programa de curso de Teologia, feito por faculdades mantidas sob a orientação de diversos segmentos religiosos que a gente conhece. Se for de orientação bíblica, por exemplo, certamente conceituará que Deus criou a Terra como o centro principal do Universo, há aproximadamente 6 mil anos, e que todas as estrelas que nós conseguimos ver brilhar, nos céus, foram criadas, depois da Terra e, obviamente, com objetivos de servirem como simples luzinhas para iluminar o nosso planeta, a noite. O Sol foi criado, também depois da Terra, também com objetivo de fazer existir o dia claro, embora se afirme que a noite e o dia foram criados antes dele. Enfim, determinar-se-á que o homem foi criado conforme o relato da estória de Adão, Eva e a Cobra e que esse negócio de homem de Australopithecus, Neanderthal, Cro-Magnon, etc. é tudo conversa fiada e nada disto existiu, apesar da Ciência ter comprovado e da evidência mostrada por inúmeros fósseis. Dinossauros não existiram, milhões de anos na Terra nunca existiram… enfim.

O Deus será conforme aquela visão e pronto, ta acabo, ninguém discute. Ensinam, obviamente conforme a Bíblia, que ele é Deus dos exércitos, de guerras, que destrói, que tem ira, ciúme, que se arrepende e que passa pessoas ao fio da espada, caso não sejam conforme querem os que acham que têm direitos exclusivos sobre a sua imagem. É verdade.

Na Terra tem várias pessoas que se acham donas exclusivas dos nomes de Deus e de Jesus. Impressionante, mas existem. Se o curso de teologia for de orientação católica, por exemplo, a conceituação dele será conforme o dogma católico, a Bíblia adotada pela igreja católica e o catecismo católico. Mas, mesmo assim, teria variações se fosse estabelecido conforme a visão de vários papas. Se fosse de um papa como, por exemplo, o João XXIII… me refiro ao João XXIII recente, maravilhoso, o Cardeal Ângelo Roncalli, o que sucedeu Pio XII e não aquele outro João XXIII (1410 a 1415) safado e sem vergonha, que era um pilantra de marca maior…, com certeza seria um Deus conceituado com valores em nível de um autêntico Deus, porque ele, era um homem bom; mas se fossem outros papas do passado, como vários assassinos e monstros que comandaram a mesma igreja, no passado, com certeza teriam que defender um Deus que permitiria envenenamento de pessoas, luxúrias, enriquecimento às custas do sacrifício das pessoas, torturas, assassinatos, etc… Imaginem, por exemplo, um Teologia escrita sob a orientação do papa Gregório IX, por criaturas como o Tomas de Torquemada e toda aquela corja que instituiu a inquisição. Como seria a conceituação desse Deus?

Aí partamos para uma outra Teologia, mas esta conforme a orientação Protestante. Seria uma só? Haveria uma unidade de pensamento? Claro que não. Teria que ser uma teologia conforme a visão de cada igreja.

(Continua na próxima publicação...)

Published under COISAS D'ALMAsend this post
janeiro 29th, 2010